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Penso na morte todos os dias e isso é o que me faz viver

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Imagem meramente ilustrativa — Foto: Reprodução

Penso na morte todos os dias. E não como uma coisa triste, quer dizer, claro que a morte é triste, principalmente se é algo que vem “antes da hora”, como o caso do cantor britânico Liam Payne, do One Direction. E mesmo em circunstâncias menos trágicas, é difícil escapar da dor de perder alguém importante. Mesmo que esse alguém já tenha cumprido todas as etapas naturais da vida.

Por outro lado, me pergunto se não seria diferente se a gente pudesse falar da finitude com mais frequência. Se a gente já sabe que vai morrer – e normalmente entendemos esse fato com quatro, cinco anos de idade – como não viver a partir dessa informação e fazer algum uso dessa perspectiva?

Afinal, ao contrário do fim do amor, pouquíssimo explorado nas histórias da nossa infância (como mencionei aqui na coluna passada), e da chegada da velhice , praticamente inexistente nas comedias românticas, a morte é a base dramatúrgica de quase tudo o que lemos e vemos quando crianças.

E não apenas porque o tema está em Frozen, Bambi, ou Procurando Nemo. Mas porque é normal, desde cedo, que a gente veja pessoas indo embora. Muitas vezes, sem qualquer aviso prévio. Isso para não falar dos alertas do tempo.

Quando parei de menstruar ano passado e vi que minha função reprodutiva havia terminado, minha crise -além das subjetivas, claro – foi ver escrito praticamente em neon que eu não tinha mais todo o tempo do mundo – coisa, aliás, que a gente não tem nunca. Mesmo quando acha que tem. Mas, enfim.

Passado o choque inicial, o que veio foi uma espécie de vento leste, uma seleção natural do que realmente merece a minha energia. Eu nunca me senti tão viva. Antes, portanto, de sair dessa festa -que vem com áudios em que a gente pula de alegria e outros em que a gente se tranca com chocolate para ver “Ninguém Quer”- eu decidi espontaneamente tomar um punhado de decisões que tem transformado substancialmente o uso da minha ampulheta.

A primeira delas, sem dúvida, é a consciência da minha total desimportância. Contrariando as promessas feitas pelo meu pai, eu não sou especial. E se isso traz alguma decepção, traz também uma imensa liberdade.

A segunda é roubada do profeta Gentileza, o que torna qualquer explicação desnecessária. Ser gentil, para mim – e se desculpar é conteúdo do mesmo pacote – é a grande ideia de sucesso que acredito. Mesmo que com atraso.

Como disse na Flip a filosofa Brigitte Vasallo, não é o tempo que cura tudo, e sim, a justiça. A fala, que nada tinha a ver com maturidade e misturava as mazelas causadas pela colonização das Américas com as ideias que herdamos de romance, se deu em uma mesa batizada de “amor político”.

Sucesso na última Flip, a espanhola discute as várias possibilidades de estar no mundo e as inúmeras formas de se relacionar. O tema vale outra coluna, mas junto, nesse texto, à la Tom Zé -meio explicando para confundir- as pontes que ligam nossas leituras de nação, família e amor. E em todas elas, absolutamente todas, a morte, que nos une em toda e qualquer configuração, pode ser um importante termômetro. Um termômetro para ficar ir embora, e fazer escolhas.

Para Washington Olivetto

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