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Ex-rabino deixa igreja para comandar “império da pornografia”

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Reprodução/Straturka

Solomon Friedman trocou a vida religiosa pelos bastidores do Pornhub; pelo envolvimento com pornografia, enfrenta críticas nas redes

Durante anos, Solomon Friedman esteve ligado ao universo religioso judaico, estudando textos sagrados e construindo uma trajetória que parecia destinada aos caminhos tradicionais da fé. Hoje, porém, seu nome aparece associado a uma das marcas mais controversas da pornografia na internet: o Pornhub.

A transformação inesperada virou assunto global após Friedman assumir posição de destaque no grupo que controla a plataforma adulta. Desde então, ele se tornou personagem constante de debates sobre pornografia, ética digital e os limites da reconstrução de imagem de uma empresa marcada por escândalos.

A história ganhou ainda mais repercussão depois de uma entrevista à revista Time e de perfis publicados na imprensa internacional, que passaram a explorar o contraste entre sua formação religiosa e o papel que exerce atualmente nos bastidores da indústria pornô.

Quem é Solomon Friedman

Nascido no Canadá, Solomon Friedman construiu carreira como advogado criminalista e ganhou notoriedade por atuar em casos difíceis e altamente controversos. Paralelamente à vida jurídica, também mergulhou profundamente na tradição judaica ortodoxa, chegando à ordenação rabínica.

Esse passado religioso é justamente o que tornou sua guinada profissional tão impactante aos olhos do público.

Hoje, Friedman integra o grupo Ethical Capital Partners, empresa que comprou a MindGeek — conglomerado responsável pelo Pornhub e por outras plataformas adultas. A aquisição aconteceu após uma avalanche de denúncias envolvendo conteúdos ilegais, vídeos sem consentimento e acusações de exploração sexual associadas ao site.

A missão de limpar a imagem do Pornhub

Desde que assumiu protagonismo na nova gestão, Friedman passou a defender publicamente a ideia de que o Pornhub vive uma “nova fase”.

Na entrevista concedida à Time, ele afirmou que a empresa implementou sistemas rígidos de verificação de identidade, revisão humana de conteúdos e mecanismos de segurança para impedir publicações ilegais. Segundo Friedman, a intenção seria transformar a indústria adulta em um ambiente mais transparente e regulado.

Ele também declarou que plataformas regulamentadas seriam menos perigosas do que sites clandestinos espalhados pela internet, argumento que passou a ser repetido pela nova administração da empresa.

A tentativa de reposicionamento, no entanto, enfrenta resistência pesada.

O passado continua perseguindo a plataforma

Mesmo após mudanças internas, o Pornhub segue carregando uma reputação profundamente desgastada.

Nos últimos anos, a plataforma foi alvo de investigações, denúncias de vítimas e forte pressão política em vários países. Empresas financeiras como Visa e Mastercard chegaram a suspender serviços ligados ao site após a repercussão das acusações.

Ativistas afirmam que as medidas anunciadas pela nova gestão não apagam os danos causados anteriormente. Parte das críticas também recai diretamente sobre Friedman, acusado por opositores de tentar suavizar publicamente a imagem de uma indústria historicamente cercada de denúncias.

A internet transformou Friedman em símbolo de contradição

Nas redes sociais, a trajetória do ex-rabino rapidamente virou combustível para debates acalorados.

Para alguns usuários, Friedman representa apenas mais um advogado assumindo uma causa controversa. Para outros, sua presença no comando de um império pornô simboliza uma das maiores contradições culturais da era digital.

A própria imprensa internacional passou a retratá-lo como um personagem emblemático do momento atual da internet. Alguém tentando convencer o público de que até uma plataforma marcada por escândalos pode ser reconstruída por meio de regras, discurso institucional e controle de danos.

O debate vai muito além do Pornhub

O caso Solomon Friedman acabou abrindo uma discussão mais ampla sobre o futuro da pornografia on-line.

Governos discutem restrições de acesso. Empresas de tecnologia enfrentam pressão. Ativistas exigem fiscalização mais dura. E plataformas pornôs tentam sobreviver em meio à crise de confiança.

No centro de tudo isso está um ex-rabino que trocou os estudos religiosos por uma batalha pública em defesa da empresa adulta mais conhecida do planeta. Foi justamente essa mudança improvável que transformou Solomon Friedman em uma das figuras mais comentadas — e controversas — da internet.


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