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Saúde

Por que a nova insulina disponível no SUS é considerada um avanço

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Foto | Sweet Life / unsplash

Análogo de insulina glargina mantém níveis mais estáveis ao longo do dia e permite menos aplicações, melhorando a adesão ao tratamento

No início de fevereiro, o Ministério da Saúde iniciou o que é considerado um avanço no tratamento da diabetes: a transição do uso da insulina humana NPH para a glargina no Sistema Único de Saúde (SUS). A principal diferença está no funcionamento do medicamento: desenvolvido para liberação lenta e contínua, ele mantém níveis de glicose mais estáveis ao longo do dia e pode favorecer a adesão ao tratamento.

Enquanto a insulina humana NPH costuma agir por cerca de oito horas, exigindo reaplicações ao longo do dia, a glargina pode ser administrada apenas uma vez ao dia. “Ela foi desenvolvida para ter uma duração média de 18 a 24 horas no organismo. Isso faz com que permaneça mais tempo no corpo e facilite o uso por quem precisa aplicá-la”, explica o endocrinologista Gustavo Daher, do Einstein Hospital Israelita.

Diferentemente da insulina tradicional, disponível há décadas na rede pública, a nova versão permite um controle glicêmico contínuo. Esse efeito é possível por causa de mudanças na própria estrutura da molécula: a glargina forma microcristais no tecido subcutâneo após a aplicação, o que faz com que a insulina seja liberada aos poucos na circulação. Outra vantagem é a ausência de picos de ação.

“Ela começa a agir dentro de uma ou duas horas e não é disponibilizada pelo organismo de uma só vez”, detalha Daher.

Essa característica tem impacto direto na segurança do tratamento. Picos elevados de insulina podem levar a episódios de hipoglicemia, que acontecem quando os níveis de açúcar no sangue caem demais. Os principais beneficiados são pacientes que dependem do uso contínuo de insulina.

Isso inclui todas as pessoas com diabetes tipo 1, em que o organismo praticamente não produz o hormônio, e parte dos pacientes com diabetes tipo 2, que podem desenvolver deficiência progressiva na produção da substância. “Cerca de 30% a 40% das pessoas com diabetes acabam usando insulina em algum momento”, destaca o endocrinologista.

Avanço no SUS

introdução de análogos de insulina na rede pública é considerada um avanço, já que pode ajudar mais pacientes a atingir as metas de controle glicêmico. “A inclusão no SUS traz benefícios palpáveis, como menos pacientes fora da meta de controle, menor risco de hipoglicemia e potencial aumento da adesão ao tratamento”, avalia Gustavo Daher.

O custo médio da insulina glargina varia entre R$ 70 e R$ 150 por caneta, dependendo se é o medicamento de referência ou genérico. Há pacientes que usam duas por mês.

A mudança começou por um projeto-piloto nos estados de Amapá, Paraná, Paraíba e no Distrito Federal. Nessa primeira etapa, serão contemplados crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. O Ministério da Saúde estima que mais de 50 mil pessoas sejam atendidas inicialmente.

Profissionais da atenção primária estão recebendo treinamento para orientar pacientes sobre o uso correto do medicamento e das canetas aplicadoras. Após a avaliação do projeto-piloto, a expectativa é ampliar gradualmente o uso da nova insulina para outros estados.

No Brasil, a diabetes é um problema de saúde pública. Estimativas indicam que entre 10% e 15% da população convive com a doença. No entanto, o número real pode ser ainda maior. “Existe uma estimativa mundial de que cerca de 50% das pessoas com diabetes não têm diagnóstico, o que poderia praticamente dobrar esses números”, alerta o médico do Einstein.


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