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Saúde

Estudo explica por que a diabetes é menos comum em grandes altitudes

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Foto | Getty Images

Pesquisa em camundongos indica que glóbulos vermelhos passam a consumir mais glicose em ambientes com pouco oxigênio

Pessoas que vivem em regiões de grande altitude costumam apresentar taxas menores de diabetes. Um novo estudo ajuda a explicar por que isso pode acontecer.

Pesquisadores observaram que, em ambientes com pouco oxigênio, os glóbulos vermelhos passam a consumir mais glicose no sangue e a transformá-la em uma molécula que facilita a liberação de oxigênio nos tecidos.

O mecanismo foi identificado em experimentos com camundongos expostos a condições que simulam o ar de grandes altitudes. Segundo os cientistas, esse processo pode ajudar a reduzir os níveis de açúcar no sangue.

“O trabalho destaca o importante papel que os glóbulos vermelhos podem desempenhar na regulação da diabetes. Esse é o conceito que devemos explorar no futuro”, afirma a bioquímica Isha Jain, dos Institutos Gladstone e da Universidade da Califórnia em São Francisco, principal autora do estudo, publicado na revista Cell Metabolism em 3 de março.

Como o baixo oxigênio altera o metabolismo

Há anos pesquisadores observam que populações que vivem em regiões como os Andes ou o Himalaia apresentam menor incidência de diabetes. Em 2023, um estudo já havia mostrado que camundongos expostos a níveis reduzidos de oxigênio também apresentavam queda na glicose sanguínea, mas não estava claro para onde esse açúcar estava indo.

Para investigar a questão, os cientistas mantiveram um grupo de camundongos em câmaras com apenas 8% de oxigênio, condição semelhante à encontrada em grandes altitudes. Outro grupo permaneceu em ar normal, com cerca de 21% de oxigênio. Após algumas semanas, os animais receberam glicose e tiveram os níveis de açúcar no sangue monitorados.

Os camundongos expostos ao baixo oxigênio apresentaram picos muito menores de glicose, indicando que conseguiam remover o açúcar da circulação mais rapidamente. O efeito continuou mesmo depois que voltaram a respirar ar normal.

Exames mostraram que a glicose desaparecida não estava sendo absorvida apenas por músculos ou órgãos como o fígado, o que levou os pesquisadores a investigar se as próprias células do sangue poderiam estar consumindo o açúcar.

O papel dos glóbulos vermelhos

Experimentos adicionais mostraram que os glóbulos vermelhos eram os responsáveis pela redução da glicose. Quando os pesquisadores diminuíram a quantidade dessas células em camundongos expostos ao baixo oxigênio, o efeito desapareceu. Já a transfusão de glóbulos vermelhos em animais que respiravam ar normal reduziu os níveis de açúcar no sangue.

Os cientistas também acompanharam o destino da glicose dentro do organismo. Os resultados mostraram que os glóbulos vermelhos produzidos em condições de pouco oxigênio absorviam muito mais glicose e a convertiam em uma molécula que se liga à hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio, o que facilita a sua liberação nos tecidos quando o ar está rarefeito.

Essas células também apresentavam níveis mais altos de uma proteína chamada GLUT1, responsável por transportar glicose para dentro da célula. Nos experimentos, os glóbulos vermelhos adaptados ao ambiente de baixo oxigênio tinham aproximadamente o dobro dessa proteína e absorviam cerca de três vezes mais glicose do que células normais.

Possíveis implicações para novos tratamentos

Os pesquisadores também testaram um composto experimental chamado HypoxyStat, desenvolvido para simular no organismo os efeitos de um ambiente com pouco ar. Nos camundongos tratados, o medicamento produziu mudanças semelhantes às observadas nas condições de hipóxia, incluindo alterações no metabolismo da glicose.

Mesmo assim, autores destacam que são necessários muitos estudos antes que essa estratégia possa ser testada em humanos, pois ainda não está claro se os mesmos mecanismos ocorreriam no organismo humano.


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