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Leitor na Folha

Um enredo com um único protagonista

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Desde quarta-feira (27/05) a advocacia capixaba passa por fortes emoções. Chegou a informação de uma sessão que ocorreria na quinta feira no Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, onde seria votada a proposta de integração de comarcas.

No rebuliço, a liderança institucional alegou desconhecimento da pauta querendo fazer crer que a nossa instituição não teria participado dos debates e que estaria surpresa com a medida do Tribunal de Justiça.

Mesmo confirmado que estávamos às vésperas de uma decisão muito negativa para a advocacia do interior e para a cidadania das comarcas integralizadas, Rizk preferiu atuar através redes sociais divulgando um ofício protocolado em fevereiro junto ao TJES, onde pedia que fosse comunicado da pauta com um prazo de 10 (dez) dias de antecedência, mas que não teria sido atendido.

Com a gigante representatividade em mãos e com a força que a nossa instituição deveria ter, o representante institucional se limitou a protocolar na própria quarta-feira um pedido de adiamento da votação ou que apenas que fosse oportunizado à ele, Presidente da Ordem dos Advogados da Brasil – Seccional do Espírito Santo, uma sustentação oral para defender os interesses da advocacia.

Esperava-se que Rizk adentrasse na sessão virtual, no dia e hora marcados, exercendo a oportunidade que todos em cargo representativos e eletivos devem exercer, ser porta voz de toda a angústia da advocacia e da sociedade, ser o centro das atenções, num discurso eloquente e preparado, para fazer frente a desastrosa integração de comarcas. Mesmo que estivesse apenas numa tela e do conforto de sua casa, essa era a expectativa dos advogados capixabas. Era apenas uma Expectativa.

O que se viu foi diferente, uma pauta administrativa aberta, onde todos se viam naqueles quadradinhos que já nos acostumamos, e lá estávamos dezenas de advogados e advogadas arrumados como se deve para um ato solene, vimos entrar na sala virtual o representante da AMAGES que se manifestou, e do SINDIJUDICIÁRIO, e continuamos na expectativa da entrada do nome que legalmente nos representa.

Mas a decepção de mais de 24 horas de inércia de ações práticas, foi coroada com a ausência do Presidente da Ordem naquele momento decisivo para a advocacia, sim, simplesmente Rizk não compareceu nem mesmo para manifestar quanto ao pedido do dia anterior, mesmo que fosse para colocar a foto na janelinha, ou ao menos, pedir a palavra. Nada.

Após a votação, alegou novamente em redes sociais e através de nota oficial que a sessão teria sido secreta e que existia uma nulidade. Na sexta feira, foi desmentido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo que destacou em sua página web, que a sessão foi pública, acompanhada por todos os advogados que solicitaram login de ingresso, mais ainda, que nada foi secreto e que a sessão foi gravada estando disponível, juntamente com a ata, para quem quiser ter acesso à mesma.

Para finalizar este papelão, após a votação foi distribuído o estudo técnico onde comprova a participação da Ordem, em todas as integralizações, uma a uma separadamente, e em cada uma delas existe a manifestação contrária ou a favor, ou apenas omissão da Ordem, sob o seu comando, sim não há espaço para terceirização. Então a surpresa da quarta era somente da advocacia. É um enredo deplorável de um protagonista só, pois é um assunto do tamanho da presidência, e de ninguém mais.

Um assunto tratado com descaso, sem vigor, menos vigor que qualquer aparição pública em coluna social para se autopromover como o faz semanalmente, menos vigor que o marketing de um anuidade zero restrito a uns estabelecimentos elitizados mas que floresce falaciosamente como um programa da advocacia inteira, menos vigor que as politicagens praticadas com o poder da Ordem que seria um poder para a advocacia, e nem se compara ao vigor que empreendeu ao se intrometer na eleição da Assembleia Legislativa de forma rápida e eloquente.

Desde que assumiu, este era o momento mais importante para mostrar a defesa da advocacia e cidadania, momento de se fazer presente e ativo, de ser eloquente e reunir todos e todas em prol da defesa dos interesses de uma grande parcela da advocacia, de utilizar todas as forças da mídia a que tem espaço. O presidente da OAB/ES tem abertura e pauta perante a imprensa, tem representatividade, tem as forças políticas que cultiva com tanto interesse, mas preferiu um protocolo de um pedido de adiamento e distribuição pelo whatsapp, e fez o que nenhum advogado pode fazer, que é faltar ao ato.  Um descaso de quarta-feira para quinta-feira, e outro ainda maior na quinta-feira.

Boas relações institucionais tem como premissa o respeito, que se conquista com as posturas firmes no exercício do interesse da advocacia e cidadania, mas perdemos com a passividade pessoal de um presidente que não pode e não tem interesse no embate mesmo quando se faz necessário, porque sempre traçou outros objetivos, e que para concretiza-los precisa da empatia dos que estão fora da Ordem. A Ordem foi apequenada. Fato. Todos sabem que neste momento podem desrespeita-la.

E nesta toada perdemos, perdemos todos e todas, perdemos nosso respeito quando o presidente não exerce a presidência, quando o representante não exerce a representatividade, quando o líder não faz ideia de como liderar, resumindo no whatsapp seu palco de ironias e perseguições às vozes contrárias. Muitas caladas por medo.

Perdemos mais ainda quando um presidente, o representante máximo da advocacia não age como todos suplicam, ou pede uma sustentação e não comparece. Somos advogados, somos advogadas, sabemos o que isso reflete na nossa imagem e no nosso dia a dia da nossa lida. Um líder fraco enfraquece toda a advocacia que luta por respeito todos os dias nos fóruns, nas delegacias, nos presídios, nas demais instituições do Estado.

Agora os presidentes de subseções estão se socorrendo aos Prefeitos, aos Vereadores, aos Deputados, se utilizando de petições virtuais e de outras lideranças, porque a nossa liderança sai minúscula deste enredo, onde foi o único protagonista cômico do espetáculo.


(*Erica Neves é advogada. Contato: @ericanevesadv)

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