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Meio Ambiente

Tartarugas-gigantes capixabas são monitoradas via satélite

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Instalação de transmissores via satélite em quatro indivíduos da espécie Dermochelys coriacearevelará informações sobre rotas percorridas e possíveis áreas de alimentação

VITÓRIA (ES) – Conhecida popularmente na vila de pescadores de Regência, em Linhares/ES, como ‘Careba de Couro, Mole ou Gigante’, a espécie de tartaruga marinha Dermochelys coriacea marca quem a vê por sua presença de peso (um indivíduo pode pesar cerca de 700 kg). Isso foi o que constataram pesquisadores do Brasil e do Reino Unido, acompanhados da equipe do Projeto Tamar. Desde o dia 10 de novembro, eles vinham monitorando as praias ao norte e sul da Foz do rio Doce, incluindo Reserva Biológica de Comboios, Regência, Povoação e Pontal do Ipiranga, em busca de fêmeas para instalar transmissores para rastreamento via satélite.

A proposta é de que os transmissores de sinais por satélites, adquiridos com recursos do Projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas (GEF-Mar-MMA), revelem informações sobre rota percorrida, lugares onde as tartarugas costumam ficar mais tempo, profundidades e tempo de mergulhos, temperatura da água, entre outras informações. Ao subirem para a praia para desovar, e receberem os transmissores, elas foram sequencialmente ‘batizadas’ de Cabocla, Botocuda, Brenda e Fubica.

No dia 10 de novembro, a primeira fêmea, Cabocla, foi flagrada pela equipe de pesquisadores, estagiários e agentes locais. Quatro dias depois, foi vista a segunda fêmea, que apresentava cortes e marcas de rede de pesca nas nadadeiras dianteiras. O nome, Botocuda, foi dado em homenagem aos índios que ocupavam a região do Rio Doce. “Porque é uma índia guerreira, que sobreviveu às redes de pesca”, frisou a pesquisadora Liliana.

Sobre a Pesquisa

Intitulada “Ecologia e conservação das tartarugas-de-couro no Brasil”, a pesquisa é coordenada pela bióloga brasileira e doutoranda pela Universidade de Exeter, na Inglaterra, Liliana Poggio Colman. O doutorado conta com financiamento do Programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal, e é executado sob orientação do professor Brendan Godley, da mesma universidade, e um dos cientistas mais reconhecidos pelo uso da telemetria por satélite relacionada à ecologia migratória das tartarugas marinhas. A pesquisa conta ainda com apoio da The Rufford Foundation e British Chelonia Group.

Este estudo vem sendo desenvolvido desde 2015 e abrangeu as Temporadas Reprodutivas 2015-2016, 2016-2017 e 2017-2018. Já envolveu a marcação de 25 fêmeas diferentes de tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), acompanhamento dos ovos até o nascimento dos filhotes, instalação de termômetros nos ninhos para monitorar a temperatura durante a incubação, além da coleta de amostras de tecido e ovos com posterior análise de isótopos estáveis, que podem indicar por onde elas passaram. Mas foi somente nessa última temporada que foi possível a instalação dos transmissores.

“Das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, a tartaruga-de-couro é a mais ameaçada, seja pelo pequeno número de indivíduos por ano, seja pela distribuição restrita ao ES, população geneticamente distinta de todas as demais do oceano Atlântico. A compreensão do uso do ambiente marinho pelas tartarugas é apontada como linha de pesquisa prioritária no Plano de Ação Nacional para Conservação (PAN) das Tartarugas Marinhas”, destaca a analista ambiental e médica veterinária do Centro Tamar/ICMBio, Cecília Baptistotte.

Para a bióloga e pesquisadora Liliana Poggio Colman, a expectativa é de que a telemetria, em associação com a análise de isótopos estáveis, aponte informações como, por exemplo, as áreas de alimentação desses indivíduos.

 

Futuro

A partir das informações obtidas, via sistema de dados (telemetria), serão gerados mapas periodicamente, que permitirão monitorar as quatro fêmeas observando-se o uso que fazem do habitat durante seus períodos reprodutivos, assim como conhecer as rotas migratórias que fazem desde quando deixam as praias de desova, identificando áreas prioritárias para a espécie e de maior susceptibilidade a ameaças, como as interações com pescarias e o próprio desenvolvimento costeiro.

“As informações também contribuem para a determinação de áreas prioritárias para a criação ou ampliação de unidades de conservação, um dos objetivos do Projeto GEF-Mar, assim como nos permitirá direcionar os esforços de conservação, frisa o coordenador do Centro Tamar/ICMBio, Joca Thomé.

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