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Operação Eco da Fraude II

Decisão da Justiça afastou prefeito e ex-prefeito de Pedro Canário por risco de interferência em investigação da PF

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Bruno Araújo e Kleilson Rezende. Foto | Redes Sociais

A decisão do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) que determinou a prisão do prefeito de Pedro Canário, Kleilson Martins Rezende (PSB), e do ex-prefeito Bruno Teófilo Araújo também impôs uma série de medidas cautelares consideradas estratégicas para impedir possíveis interferências nas investigações da Operação Eco da Fraude II, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (26).

A investigação apura suspeitas de corrupção, fraude em licitação, superfaturamento de contratos, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo contratações para o evento “Forró da Tábua Lascada”, realizado pela prefeitura em 2025.

Na decisão de 18 páginas, o desembargador Pedro Valls Feu Rosa determinou o afastamento imediato de ambos das funções públicas por 180 dias. O prazo poderá ser prorrogado conforme o andamento das investigações.

Com o afastamento de Kleilson Rezende, o vice-prefeito Denis Amâncio (Republicanos) assumirá interinamente a Prefeitura de Pedro Canário em cerimônia marcada para esta quarta-feira (27), às 10h, na Câmara Municipal.

Bruno Araújo, que atualmente ocupava o cargo de superintendente municipal, também foi afastado da função pelo mesmo período. Apesar das medidas, os dois continuam recebendo salários, já que a decisão não suspende os vencimentos.

Até o início da noite desta terça-feira, não havia informações sobre a defesa dos investigados. A Prefeitura de Pedro Canário confirmou as prisões por meio de nota e afirmou que o processo tramitava em segredo de Justiça.

“Informamos que o processo tramita em segredo de justiça e, por esta razão, a defesa técnica ainda está se inteirando do teor integral das acusações e dos fatos investigados para se manifestar de forma aprofundada”, informou o Executivo municipal.

Justiça aponta risco de destruição de provas

Na decisão, o desembargador afirma que a permanência dos investigados em cargos públicos representava risco direto para a investigação, já que ambos teriam acesso a documentos, servidores e setores estratégicos da prefeitura.

Segundo Feu Rosa, isso poderia facilitar destruição de provas, alinhamento de versões entre investigados e influência sobre testemunhas.

“O cargo não pode ser usado para embaraçar a investigação”, destacou o magistrado.

Investigados estão proibidos de acessar prefeitura

Além do afastamento, Kleilson e Bruno ficaram proibidos de entrar em prédios da Prefeitura de Pedro Canário e de manter contato com servidores das secretarias e setores ligados à Cultura, Licitação, Contratos, Contabilidade, Tesouraria, Controle Interno e Gabinete.

A decisão também impede qualquer participação dos investigados na gestão pública, mesmo de forma indireta. Eles não poderão despachar, orientar subordinados ou atuar nos bastidores da administração municipal.

Outra medida determinada pela Justiça proíbe contato entre todos os investigados, incluindo testemunhas, servidores públicos e representantes das empresas citadas no inquérito.

PF teve acesso autorizado a celulares, nuvens e contas bancárias

A Justiça autorizou ainda mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados, incluindo o gabinete do prefeito.

A Polícia Federal poderá recolher celulares, computadores, contratos, notas fiscais, planilhas, comprovantes de pagamento e outros documentos relacionados ao caso.

Também foi autorizada a análise de conteúdos armazenados em celulares, computadores e serviços de nuvem, incluindo mensagens de WhatsApp, Telegram, Signal, e-mails, registros de chamadas e backups digitais.

O desembargador ainda determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados e das empresas citadas no inquérito. A medida permite acesso da PF a movimentações financeiras, declarações fiscais e registros telefônicos relativos ao período entre 2021 e 2025.

Segundo a decisão, há indícios de que parte das mensagens trocadas pelos investigados já teria sido apagada, reforçando a suspeita de tentativa de ocultação de provas.

Para a Justiça, o grupo investigado teria atuado de forma organizada, com divisão de tarefas, uso de intermediários e movimentação de dinheiro em espécie para ocultar a origem dos recursos.


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