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TEMPO E TEMPERATURA

Super El Niño pode provocar chuvas intensas no Sul e seca no Nordeste

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Animação da Temperatura da Superfície do Mar no Pacífico Tropical em 6 de maio de 2026, segundo o NOAA • NOAA

O avanço do fenômeno El Niño já colocou autoridades brasileiras em estado de atenção, principalmente na região Sul do país. Em Santa Catarina, o governo estadual decretou estado de alerta climático por 180 dias diante do risco de enchentes, deslizamentos e temporais associados ao fenômeno.

Meteorologistas apontam que o principal impacto esperado no Brasil será o aumento das chuvas no Sul. Em contrapartida, áreas do Nordeste e parte da Amazônia podem enfrentar redução das precipitações e maior risco de seca.

Fenômeno aquece o Pacífico e altera o clima global

O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocado por alterações nos ventos da região. Esse aquecimento interfere na circulação da atmosfera e modifica o padrão de formação de nuvens e chuvas em várias partes do planeta.

Segundo a meteorologista e pesquisadora da Unicamp, Ana Maria Ávila, o fenômeno também contribui para o aumento das temperaturas globais.

“Há uma tendência de média global das temperaturas mais altas. Então, o calor é uma consequência também do El Niño”, explica.

O nome “El Niño” surgiu entre pescadores da costa do Peru, que perceberam que as águas mais quentes, próximas ao período do Natal, reduziam a quantidade de peixes na região — referência ao “Menino Jesus”.

Sul deve ter mais chuva e risco de temporais

Historicamente, anos de El Niño costumam registrar aumento significativo das chuvas nos estados do Sul, especialmente Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

As frentes frias tendem a permanecer mais estacionadas sobre a região, favorecendo períodos prolongados de chuva e elevando o risco de temporais, enchentes e deslizamentos.

A combinação entre calor, umidade e frentes frias intensifica os eventos extremos. Além disso, correntes de umidade vindas da Amazônia, conhecidas como “rios voadores”, ajudam a alimentar os sistemas de chuva.

A primavera costuma ser o período mais crítico no primeiro ano do fenômeno, mas os impactos podem se prolongar até o outono do ano seguinte.

Nordeste e Amazônia podem enfrentar seca

Enquanto o Sul tende a registrar excesso de chuva, o Nordeste e o leste da Amazônia normalmente enfrentam redução das precipitações durante eventos de El Niño.

A diminuição das chuvas pode afetar reservatórios, agricultura e abastecimento de água em diversas áreas. Já o Sudeste e o Centro-Oeste devem registrar temperaturas acima da média.

Os impactos também preocupam o setor agrícola. No Sul, o excesso de chuva pode prejudicar o plantio da safra primavera-verão.

Intensidade ainda gera incertezas

Apesar da alta probabilidade de formação do fenômeno, meteorologistas afirmam que ainda é cedo para definir a intensidade do chamado “Super El Niño”.

Especialistas destacam que a força do fenômeno não determina, sozinha, a gravidade dos impactos climáticos. Outros fatores, como as condições dos oceanos Atlântico Sul e Atlântico Norte, também influenciam o comportamento do clima no Brasil.

Eventos extremos continuam sendo tratados como possibilidade, e não como certeza. Segundo os especialistas, já houve anos de El Niño com efeitos moderados, assim como períodos sem o fenômeno que também registraram tempestades severas no Sul do país.


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