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Tapa na cara | ‘Descobri que tenho fetiche em levar durante o sexo. Na 1ª vez, senti minha alma sair do corpo’

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Leitora narra como descobriu seu fetiche em levar tapas no rosto durante o sexo — Foto: Getty Images

A jornalista Ariany*, 26 anos, passou anos procurando um homem que fosse capaz de satisfazer seu desejo e provar para ela que, de fato, um tapinha não doi. Aqui, ela narra a primeira vez em que um parceiro concretizou seu fetiche, o que mudou sua relação com o sexo e o gozo de uma vez por todas: ‘’

“Mesmo quando eu não transava eu já tinha um negocinho com tapas na cara. Já tinha visto alguns conteúdos da internet relacionados ao BDSM, como gifs e vídeos de enforcamento e espancamento no Tumblr. Mas sou bem vanilla [ou baunilha; é quem curte práticas sexuais consideradas convencionais, fora do espectro do BDSM ou sexo kink] comparada a isso. Tapa na cara foi uma das que eu vi um GIF e senti cócegas, só que, até então, sempre falei que ninguém batia na minha cara. Poderia bater em qualquer lugar, menos no rosto.

Isso caiu por terra. No sexo, sou muito submissa. Muito mesmo. Gosto de me sentir bem puta, cachorra, vagabunda da pessoa mesmo. Não sei explicar exatamente o que me dá tesão na hipótese de levar um tapa forte no rosto. Acho que o tesão que me dá está justamente na submissão, mas também no fato de que gosto muito de mão de homem, particularmente falando como uma mulher hétero. Mão, pescoço e costas largas me chamam muita atenção.

Que fique bem claro: eu não gosto de ser humilhada, de forma alguma. Só que o tapão no rosto faz muito fácil.

A maioria dos bofes que eu fiquei não sabem bater. Acho que eles têm medo mesmo ou só não curtem. Então, antes de sair de fato para transar com a pessoa, gosto sempre de entrar em conversas sexuais pra jogar ali o que eu gosto e o que eu não gosto.

As reações se misturam: um disse que ia ficar com dó de bater, outro que não conseguia. Tudo bem, não posso forçar, né? Aliás, prefiro que me falem assim, bem claro, do que chegar no ato e bater com mão de alface.

Me broxa demais quando alguém se propõe a fazer o trabalho bem feito para chegar lá e bater fraco (ou nem bater). Para um, já cheguei a perguntar: ‘Tá com dó?’ Ou encorajar: ‘Pode bater de verdade’. Com um deles, ficou um climão.

Até que conheci um querido que, infelizmente, é péssima gente, mas transa incrivelmente bem. Foi ali que essa chavinha mudou. Foi com ele que eu descobri, na real, que um tapa na cara me deixa muito excitada.

Eu não lembro como foi exatamente que tudo levou a esse ápice, mas a gente já tinha trocado umas ideias sobre o assunto. Certo dia ele veio me buscar na minha casa e me levou para a dele. Os dois estavam a procura de sexo mesmo.

Rolou um pouco de conversa fiada, até ele colocar Call Out My Name do The Weeknd. Um clássico (risos). Começamos a nos beijar e fomos para a cama começar o rala e rola, só que os dois estavam sentados. Lembro que ele puxou minha perna para a cintura dele e ficou em cima de mim.

Depois, ele tirou minha blusa. Chupou meu peito. Desceu, colocou minha calcinha de lado e me chupou. Depois disso foi marcha na boneca. Rolou a penetração.

Foi tudo muito intuitivo: enquanto ele estava dentro de mim, ficou ensaiando e passando a mão no meu rosto. Falei para ele que podia bater. Esperei um tapa borocoxô, mas eis que ele meteu a mão com gosto na minha cara, tão forte que meu rosto virou involuntariamente.

E tudo bem, foi consentido. Na verdade, tudo ótimo: o tapa tornou a transa ainda mais deliciosa para mim. Meu olho brilhou como nunca, e fiquei meio surpresa por ter gostado. Até demorei um teco para a alma voltar para o corpo. Foi o melhor tapa que eu tomei na vida (risos).

O que mudou no sexo depois que o tapa aconteceu? Eu queria apanhar toda santa vez. Até hoje não me sinto completa na transa se não me derem um tapa na cara. Sem brincadeira. Parece que falta algo. Automaticamente coloco a mão da pessoa no meu rosto – ou, se a mão está ali pelo pescoço, eu subo para o meu rosto e fico olhando com cara de cadela (risos).

É batata. E sempre dá certo com os que também curtem isso. Normalmente sempre topam. Mas não é todo cara que sabe bater direito, não! O cara que deu o primeiro tapão no meu rosto me marcou: o sexo era incrível também, mas esse detalhe foi a cereja do bolo. Mesmo cinco anos depois, ainda não conseguiram ultrapassá-lo. Ele está no meu top 1.”

*O nome foi alterado para preservar a identidade da personagem.

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