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Toda mulher deveria praticar masturbação, e sexóloga revela por quê

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Foto | Getty Images

Tabus históricos ainda silenciam o prazer feminino, mas a masturbação é uma ferramenta de autoconhecimento e autonomia

Apesar de ser uma prática natural e comum, a masturbação feminina ainda é cercada por silêncio, tabus e desinformação. Em pleno 2026, falar sobre o próprio prazer segue sendo um desafio para muitas mulheres, reflexo de um histórico longo de repressão e controle sobre seus corpos.

Segundo a educadora sexual da ItSophie, Chris Marcello, esse cenário não surgiu por acaso. “Durante séculos, o prazer feminino foi invisibilizado ou tratado como ameaça. A masturbação feminina, em especial, foi envolta em culpa e silêncio, porque historicamente a sexualidade da mulher foi reduzida à reprodução”, explica.

De acordo com ela, esse legado cultural ainda impacta diretamente a forma como muitas mulheres se relacionam com o próprio corpo. “Muitas crescem sem autorização simbólica para explorar o próprio prazer”, completa.

Mais do que uma questão de tabu, a masturbação pode ser uma ferramenta importante de autoconhecimento. Ao explorar o próprio corpo sem pressões externas, a mulher passa a entender melhor suas preferências e limites, o que pode transformar sua relação com a sexualidade.

“A masturbação permite que a mulher conheça seus ritmos, zonas erógenas e preferências, sem a pressão de corresponder ao desejo do outro”, afirma Chris. Segundo ela, esse processo fortalece a autoestima e contribui para uma vida sexual mais consciente e satisfatória, já que amplia a capacidade de comunicação dentro das relações.

Essa dificuldade, no entanto, também está ligada à forma como homens e mulheres são socializados em relação ao prazer.

Enquanto meninos historicamente não são reprimidos — pelo contrário, são até incentivados — a explorar a própria sexualidade, meninas crescem, em muitos contextos, sob regras de contenção. “Essa assimetria cria adultos que chegam aos relacionamentos com repertórios muito distintos”, ressalta a especialista.

O impacto aparece em diferentes aspectos da vida a dois. “Enquanto os homens costumam desenvolver maior segurança e intimidade com o próprio corpo, muitas mulheres ainda buscam ‘permissão’ para sentir prazer”, diz.

Isso afeta desde a comunicação até a construção da intimidade. Em alguns casos, pode reforçar dinâmicas desiguais, em que o homem assume o papel de quem conduz a experiência sexual, enquanto a mulher ocupa um lugar mais passivo.

Além das barreiras culturais, mitos antigos ainda ajudam a manter o tema envolto em preconceito. Ideias como a de que masturbação é “coisa de quem não tem parceiro” ou de que mulheres que se masturbam são promíscuas continuam circulando — mesmo sem qualquer base científica.

“O prazer próprio não compete com o prazer compartilhado”, reforça Chris. “Pode até enriquecer a experiência com o outro.”

Desmistificar essas crenças é um passo importante para mudar essa realidade. Para a especialista, reconhecer a masturbação como uma prática saudável, natural e parte do autoconhecimento é fundamental para que mais mulheres possam se apropriar do próprio prazer sem culpa.

No fim, o debate sobre masturbação feminina vai além do sexo. Ele passa por autonomia, liberdade e pela possibilidade de viver a própria sexualidade de forma mais consciente, sem silêncio, vergonha ou limitações impostas.


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