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Após traições, mulher redescobre sua sexualidade com fetiche cuckold

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Foto | Getty Images

Depois de sair de um relacionamento em que foi traída, mulher de 46 anos redescobriu a própria sexualidade ao experimentar fetiche cuckold

Embora ainda desperte estranhamento e preconceito, o fetiche cuckold tem chamado atenção sobre o que leva algumas pessoas a sentirem excitação ao imaginar ou ver o parceiro se relacionamento sexualmente com outra pessoa. A prática faz parte das diferentes formas de expressão da sexualidade e não deve ser confundida com infidelidade, falta de amor ou problemas na relação.

O que está por trás

Ao Metrópoles, Lidyane Santos, docente de psicologia, explica que, na verdade, não existe uma única explicação para esse tipo de fantasia. “Do ponto de vista psicológico, o interesse pelo fetiche pode ser compreendido como uma das muitas variações da sexualidade humana. Não há uma causa única”, afirma.

De acordo com ela, para algumas pessoas ele está relacionado à busca por novidade, intensidade emocional ou maior excitação sexual. Em outros casos, pode envolver voyeurismo, quebra de normas sociais ou até erotização de emoções complexas, como o ciúme. “A literatura atual entende que fantasias são multifatoriais e influenciadas por fatores biológicos, psicológicos e culturais.”

Vivendo e aprendendo

Foi justamente a curiosidade em compreender os próprios desejos que levou Mariana Sales*, de 46 anos, a se identificar com essa dinâmica.

“A idade escancarou meus olhos pra liberdade, inclusive sobre meus desejos e vontades. Aos poucos fui me permitindo viver algumas experiências, e entendendo que alguns posicionamentos faziam sentido. Minha mente se expandiu, me fazendo perceber que essa fantasia também despertava minha curiosidade. Procurei compreender de onde vinha e logo entendi que não tinha relação com falta de amor ou insatisfação”, comentou.

Nesse contexto, Lidyane destaca que também é um erro associar o fetiche à baixa autoestima ou ao desejo de humilhação.

Segundo ela, embora algumas pessoas possam encontrar excitação em dinâmicas de submissão ou humilhação consensual, muitas não apresentam essas motivações. Em diversos casos, a experiência está, inclusive, relacionada à confiança no parceiro.

Descobertas na sexualidade

Na experiência de Mariana, é exatamente isso que desperta o interesse. “O que mais me atrai é o conjunto da experiência, portanto com estímulo apenas fantasioso. Para mim, essa está muito ligado à autoconfiança, à cumplicidade e à liberdade que existe entre o casal.” Ela acrescenta que só faz sentido quando há reciprocidade e respeito por todas as pessoas envolvidas.

Antes de qualquer tentativa de colocar o desejo em prática, ela menciona que a conversa com o parceiro, com quem está há cerca de três anos, aconteceu sem pressão e com regras bem definidas.

“Ambos tiveram espaço para expressar expectativas, inseguranças e dúvidas. Antes de qualquer experiência, combinamos limites muito claros, definimos o que seria confortável para cada um e deixamos claro que qualquer pessoa poderia mudar de ideia, ou interromper a ‘brincadeira’ a qualquer momento”, pontuou sobre a relação com o rapaz que tem 34 anos.

Diferença do saudável para o problemático

Para a docente, esse tipo de comunicação é um dos fatores que diferenciam uma vivência saudável de situações problemáticas. “Tende a ser considerado saudável quando ocorre entre adultos, de forma consensual, com comunicação clara, respeito aos limites, possibilidade de recusa e ausência de sofrimento significativo para os envolvidos”, elenca.

Em contrapartida, ela alerta que merece atenção quando a prática se torna compulsiva, acontece por coerção ou passa a substituir completamente outras formas de intimidade ou a ser utilizada como tentativa de resolver conflitos importantes do relacionamento.

“Em um contexto consensual e previamente acordado, emoções como ciúme, competição ou vulnerabilidade podem ser reinterpretadas pelo cérebro como parte de uma experiência erótica segura. O contexto de confiança, controle e consentimento diferencia essa fantasia de uma vivência real de infidelidade, na qual há quebra de acordos e sofrimento”, destaca a professora do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp).

Por último, Mariana reforça a importância de combater estereótipos.

“Acredito ser importante desmistificar a ideia de que significa ‘falta de amor’, infidelidade ou problemas no relacionamento. Na minha experiência, é justamente o contrário — exige uma comunicação clara, maturidade emocional e confiança”, conclui.

*Nome fictício a pedido da personagem


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