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 “Vai dar vontade de morrer”, disse prefeito ao elogiar novo cemitério

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Se você quiser ir lá, pode ir. Ele é asfaltado, vai ficar bonito. Vai dar vontade de morrer! Brincadeira…”, disse o prefeito a uma rádio local. 

O prefeito de Itamaraju, uma pequena cidade do extremo Sul da Bahia, deu o que falar após discursar sobre a reinauguração do cemitério da cidade durante uma entrevista à Rádio local. Ao comentar obras do novo cemitério da cidade, Marcelo Angênica (PSDB) não se conteve e acabou perdendo a mão nos elogios: Se você quiser ir lá, pode ir. Ele é asfaltado, vai ficar bonito. Vai dar vontade de morrer! Brincadeira…”, disse o prefeito a uma rádio local. 

Nem mesmo o repórter conseguiu se segurar e respondeu: “Se você quiser, pode ir. Eu não quero não”, disse ao prefeito. O bate papo foi ao ar no programa Jornal do Meio Dia, na última terça-feira.

O cemitério em questão receberá o nome de Frei Beto e, segundo moradores, está sendo construído no ritmo de uma obra de igreja. Ao custo de R$ 3 milhões, o projeto está atrasado. A última previsão era de que ele seria inaugurado em 21 de março.

Assista a entrevista:

(*Por Dentro da Notícia)

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Seis meses de Covid:19: incertezas e esperanças de cidadãos na pandemia sem fim

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Isolamento, uso de máscara, homeoffice: pandemia forçou os cidadãos a criarem novos hábitos


A quarentena provocada pela Covid-19 (Sars-Cov-2) causou grandes alterações na rotina dos brasileiros. Desde a maneira como se trabalha até os relacionamentos. Tudo mudou. O iG conversou com pessoas que estão conseguindo cumprir à risca as orientações de isolamento social. E com quem não pode e precisa se arriscar a ser contaminado para não perder o trabalho.


O isolamento fez com que algumas pessoas mudassem, seja de maneira positiva ou negativa. Muitas descobriram talentos. Outros desengavetaram projetos. Seja qual for a mudança, a quarentena trouxe questionamentos. E descobertas de como passar por este período da melhor maneira possível.

Um conjunto de sentimentos negativos, de dúvidas e de esperança por dias melhores acompanha Miriane Peregrino, pesquisadora de literatura, que mora na Alemanha. Ela conta que o isolamento social causou uma grande incerteza para o futuro, principalmente por estar longe dos familiares que ainda moram no Brasil.

“(A quarentena) afetou muito, primeiro com o fechamento das fronteiras. Estar em outro país e saber que estou presa, sem poder sair, longe de todos que amo me causou uma grande angústia. Comecei o home office, minhas aulas de alemão foram suspensas. Muitas incertezas surgiram.”

Na avaliação da psiquiatra Roberta França, o ser humano acredita ter controle das coisas, e a pandemia veio, justamente, mostrar essa falta de controle.

“Lutamos com um vírus que é invisível, sabemos que estamos correndo risco, mas não conseguimos enxergar esse risco, não sabemos de onde ele vem. Isso tudo gera ansiedade, angústia, insegurança”, explica a psiquiatra Roberta França. 

A psicóloga Sonia Prado, coordenadora do curso de Psicologia da Estácio Interlagos, endossa o argumento. “São muitos fatos e informações negativas e as pessoas – sem a possibilidade de busca de ajuda ou de dar uma solução ao problema – se sentem frustradas e impotentes.”

De acordo com a psicóloga Alethéa Vollmer, estamos “entre o que deixou de ser e o que ainda não é”. “Neste sentido, temos a construção do novo que é um grande desafio para o nosso presente, que hoje é esperar e ficar atento ao que está por vir. A partir daí, criamos formas para lidar com a situação”, avalia.

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Arquivo pessoal

Casal conseguiu se adaptar à nova realidade imposta pela pandemia de Covid-19



Novas rotinas, novas frustrações

A imposição de uma nova rotina afetou a vida profissional da jornalista Janaina Caixeta. “Eu nunca fui fã do home office. Estou há quase seis anos na empresa onde eu trabalho. Acordar de manhã, me arrumar e sair era a rotina de sempre. Passei a ficar muito mais tempo em casa. Meu marido também começou a trabalhar home office logo depois de mim e então fomos adequando a nossa rotina”, afirma.

Lidar com as frustrações nesse período de isolamento social significa administrar uma resiliência humana de forma que se possa lidar com esses conflitos, mas como? “De que maneira pode ser feito isso? Isso vai depender de que estratégia cada um pode utilizar para poder buscar menor possibilidade de desequilíbrio emocional”, diz a psicóloga Vânia Campos.

“Alguns exemplos são: se eu gosto de ler, eu vou ler; se eu preciso arrumar algumas coisas que eu não tinha tempo, eu vou fazer; e, assim, cada um busca alternativas estratégicas que possam lhe favorecer alguma coisa de prazer para compensar essa falta de possibilidades de fazer as suas atividades que sempre fazia de uma forma livre”, sugere.

Cadê a correria do dia a dia?

Foi exatamente isso que Higor Gonçalves, professor de marketing da ESPM, fez durante o isolamento. “Sempre trabalhei externo, em escritórios, dando aulas, palestras, e organizando ou participando de eventos. Eu gosto da correria do dia a dia, do contato humano, do fluxo intenso de pessoas.”

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Arquivo pessoal

Higor Gonçalves viu na pandemia uma oportunidade de desengavetar antigos projetos


Apesar da mudança brusca na rotina, ele acredita que conseguiu estabelecer bem uma rotina com horários para trabalho e vida pessoal. “Uma preocupação que tive no início da quarentena foi criar um planejamento factível, estabelecendo horários para acordar, me exercitar, fazer as refeições e trabalhar.”

Preencher o tempo livre com conteúdos positivos e atividades que promovam a saúde física também ajuda no processo. “O importante é que as pessoas busquem menos informações sobre o assunto, comecem a selecionar as notícias e a buscar atividades que preencham o seu dia com situações que tenham soluções e não fiquem tão presas a notícias ruins”, afirma a psicóloga Sonia Prado.

Entre as minhas metas para o ano de 2020 de Higor estava a yoga.

“Mas, devido à correria do dia a dia, eu não estava conseguindo colocar em prática no começo do ano. Com a quarentena, em março, surgiu a oportunidade. Uni o útil ao agradável. Antes da pandemia, eu fazia corridas matinais no parque. Com as medidas de distanciamento social, eu troquei as corridas externas, pela yoga, dentro de casa”, conta Higor, que era muito ativo fisicamente antes da pandemia, e precisou modificar a rotina para continuar se exercitando. Ele passou a adotar a yoga como atividade física principal. 

Sem visita na casa nova

Já Janaína diz que fez de tudo nessa quarentena, desde fazer exercícios todos os dias até fazer bolos. Além disso, ela comenta que se mudou com o marido recentemente, e que a quarentena não permitiu que a família visse sua nova casa.

“Eu e meu marido passamos a Páscoa sozinhos. Passamos o nosso aniversário, que é no mesmo dia, isolados. É tudo muito doido, na verdade!  Acho que se você parar pra pensar mesmo, você começa a dar mais valor ao que realmente importa. A segurança que sua casa traz. A importância da higiene pessoal, da limpeza da casa, das verduras que você come”, relata. 

A importância de coletividade durante a quarentena

O isolamento provoca uma realidade de individualidade, a partir do momento em que estamos dentro de casa, mas também de individualismo, com pessoas que não prezam pelo cuidado ao próximo.

“Nós nos mostramos nessa pandemia muito mais egocêntricos e egoístas do que propriamente um povo que trabalha com o coletivo, e na verdade, tudo que estamos vivendo até aqui na pandemia, principalmente no Brasil, está justamente atrelada à nossa falta de cuidado com o outro, nossa falta de responsabilidade social, ao nosso egoísmo e à nossa prática de achar que o que vale é o que eu quero”, pontua Roberta França.

Ajudar é preciso

Apesar disso, ainda há tempo para que as pessoas se unam e trabalhem de forma coletiva para passar por esses momentos delicados.

“Depois de seis meses, as pessoas têm poucos lugares para procurar ajuda, não temos um lugar especializado de atendimento como o que foi feito em Portugal, por exemplo. Eles criaram um telefone, um espaço onde as pessoas pudessem procurar ajuda, grupo de pessoas que ligam umas para as outras apenas para perguntar como estão. Precisamos que essa coletividade tenha um pouco mais de voz, que o discurso seja mais uníssono neste sentido”, finaliza a psicóloga Alethéa.

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