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Saúde

SP: reabertura de escolas amplia risco de covid-19 para 340 mil idosos

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A aposentada Maria Elisa Victorino Geraldo, de 72 anos, divide a casa onde mora, na zona leste da capital paulista, com a mãe, Dinah de Rossi Victorino, de 94 anos, a filha e as netas. Ela é uma dos cerca de 340 mil idosos da cidade que coabitam com crianças e adolescentes em idade escolar.

Com a pandemia de covid-19 e a discussão sobre o retorno às aulas presenciais em São Paulo, Maria Elisa teme estar mais exposta ao novo coronavírus quando as crianças voltarem a frequentar a escola.

“Tememos muito o retorno às aulas. Tenho diabetes e minha mãe tem enfisema pulmonar. Aqui em casa temos duas crianças em fase escolar, Francesca, de 14 anos, e Antonella, de 12 anos. Elas devem permanecer em casa, nas aulas online, se isso for opcional até o fim da pandemia. Caso contrário, minha filha, mãe delas, verá como poderá ser feito esse processo”, admite a aposentada.

“Nosso maior medo, além do que já conhecemos da potência do vírus através de reportagens, é que os médicos sempre descobrem novos sintomas e sequelas, ou seja, ainda temos desconhecimento do que o vírus realmente pode causar a curto e a longo prazo, fora o perigo de morte”, completou Maria Elisa, que mora na Vila Prudente.

O casal de aposentados Luís Pinheiro Silva, de 69 anos, e Miriam Cristina Borges Pinheiro, de 67 anos, também mora com os netos e teme o retorno das crianças à escola. Para Luís, a volta às aulas só deveria ocorrer depois da descoberta da vacina contra o novo coronavírus e da imunização de todos.

“Se reabrirem as escolas, sem garantia nenhuma, porque não foi feita a vacina, quem pode dizer que a criança vai manter 1,5m longe um do outro se, no dia a dia, ninguém faz isso, nem dentro do supermercado, nem shopping! A criança pode se contaminar e transmitir para seus familiares, principalmente para os avós, então não acho certo voltar agora. Creio que deveria voltar sim, depois que tiver uma vacina para todos”, disse o avô de Luiz Gustavo, de 8 anos, e de Kethlyn Cristiana, de 6 anos, moradores do Jardim Marília, também na zona leste.

Até este momento, a prefeitura de São Paulo liberou, a partir de 7 de outubro, as aulas presenciais para alunos do ensino superior ou para atividades extracurriculares do ensino infantil, fundamental e médio,.

A volta às aulas das escolas públicas e particulares ainda não tem data definida. O prefeito disse que está sendo avaliada a possibilidade de os estudantes voltarem a partir de 3 de novembro.

Coabitação

Idosos na região central de Brasília.Idosos na região central de Brasília.

Mais de 20% dos idosos da cidade de São Paulo moram em casas com jovens em idade escolar. – Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil

De acordo com a professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) Yeda Duarte, mais de 20% dos idosos da cidade de São Paulo moram em casas com jovens em idade escolar. Um fato que, segundo ela, precisa ser levado em conta ao se discutir o retorno das aulas presenciais.

O alerta foi feito durante o webinar “Covid-19, 60+: que epidemia é essa?”, promovido pela Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo) em parceria com o Canal Butantan. A íntegra do evento pode ser assistida no YouTube.

“Estamos falando de aproximadamente 340 mil idosos em contato próximo com crianças e adolescentes que vão retornar à vida normal, podem ser [portadores do SARS-CoV-2] assintomáticos e vão trazer essa contaminação para dentro de casa”, disse a pesquisadora.

Pesquisa

Com o apoio da Fapesp, a professora coordena, desde 2000, o Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), que busca avaliar periodicamente as condições de vida de moradores do município de São Paulo com 60 anos ou mais. O dado apresentado no seminário foi extraído da edição mais recente, conduzida entre 2015 e 2017 com 1.236 participantes selecionados para representar o perfil da população idosa da capital.

Nos últimos meses, em parceria com pesquisadores do Instituto Butantan, a equipe do SABE tem investigado como a covid-19 vem afetando esse grupo de voluntários. Além de entrevistas por telefone para avaliar o impacto da doença e do isolamento social, foram feitos exames sorológicos (para buscar a presença de anticorpos contra o novo coronavírus) em 310 idosos e em todas as pessoas com quem eles mantêm contato frequente.

No caso de indivíduos que apresentaram sintomas suspeitos nos 15 dias que antecederam a coleta, também foi feito o teste de RT-PCR (que detecta o RNA do vírus e é o principal método de diagnóstico da covid-19).

Dados preliminares do SABE-COVID (80% dos resultados tabulados) apontam uma soroprevalência de 4,5% entre os idosos avaliados. Entre seus principais contactantes o percentual foi mais que o dobro: 9,6%.

“O maior número de reagentes está entre os contactantes e essa é uma questão importante quando se fala em retomar as atividades normais. Os idosos estão nas suas casas e, na maioria das vezes, cumprindo o distanciamento social. Mas estão sendo contaminados pelas pessoas que continuam circulando pela cidade e trazem o vírus de fora para dentro”, afirmou Yeda.

A maioria dos casos e os dois únicos óbitos registrados no grupo de estudo ocorreram na zona sul da cidade, em bairros como Campo Limpo, Jardim Ângela e Jardim São Luís. Na sequência estão Pirituba, Freguesia do Ó (ambos na zona norte), Aricanduva e Artur Alvim (na zona leste).

Segundo Yeda, a maior soroprevalência em bairros periféricos tem relação com as condições de moradia nesses locais. “Há, por exemplo, um maior número de pessoas vivendo na mesma casa. Esse aspecto da desigualdade social precisa ser considerado ao se definir a flexibilização das medidas de controle e os grupos prioritários para vacinação”, destacou.

Infectados em casa

Uso de máscara para proteção contra o novo coronavírus.Uso de máscara para proteção contra o novo coronavírus.

Uso de máscara para proteção contra o novo coronavírus. – Ricardo Wolffenbuttel/Governo de SC

Dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), apresentados no evento pelo médico Paulo Rossi Menezes, membro da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) da Secretaria Estadual da Saúde, corroboram a avaliação de que a maioria das contaminações entre os idosos ocorreu em casa.

“Após ser introduzida a obrigatoriedade do uso de máscaras, no mês de maio, houve uma inflexão dramática nas curvas de internação e de mortalidade por síndrome respiratória aguda grave [SRAG] associada à covid-19 na capital e na Grande São Paulo. Mas isso quando se olha a população como um todo”, afirmou.

“Já quando se olha apenas as curvas das pessoas com 60 anos ou mais o padrão é totalmente distinto. O crescimento não se interrompe quando a máscara é introduzida e se mantém até o fim de junho. Isso reforça a ideia de que os idosos estão sendo infectados dentro de suas casas. As pessoas que moram com eles saem às ruas de máscara, mas tiram a proteção ao retornar”, explicou.

Segundo Menezes, os casos confirmados de covid-19 no estado de São Paulo estão concentrados na faixa de 30 a 50 anos de idade, à qual pertence boa parte dos indivíduos que continuaram trabalhando no período de quarentena.

No entanto, os idosos representam três quartos das mortes confirmadas. Desses, 83% tinham uma ou mais doenças crônicas, sendo as principais cardiopatias (52,4%), diabetes (36,5%) e doenças neurológicas (10,4%). Entre as pessoas com mais de 60 anos que precisaram ser internadas após contrair o vírus, 42% evoluíram para óbito.

Genética

Na busca por fatores genéticos que podem aumentar ou diminuir o risco de morrer em decorrência da infecção pelo novo coronavírus, a geneticista Mayana Zatz , coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP, já encontrou sete centenárias que tiveram contato com a covid-19 e desenvolveram apenas sintomas leves ou se mantiveram assintomáticas.

“Para identificar os genes de risco e de proteção resolvemos focar nos extremos. Estamos coletando amostras de pessoas que morreram após contrair a doença e de idosos resistentes. Algo que nos surpreendeu foi a existência de casais discordantes, ou seja, em que apenas um dos cônjuges teve a doença. Achávamos que era algo raro, mas recebemos mais de 800 e-mails com esse tipo de relato. Já coletamos amostras de 100 casais e vimos que a maioria dos assintomáticos tem sorologia negativa e 65% são do sexo feminino”, contou.

O passo seguinte será sequenciar o genoma dos centenários e nonagenários resistentes à covid-19, contou a pesquisadora. “Podemos reprogramar células do sangue dessas pessoas para criar linhagens de diversos tecidos, infectar as células em laboratório e ver como o vírus se comporta. Isso nos permitirá entender o mecanismo genético da infecção.”

Também participou do webinar o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas, que apresentou resultados parciais dos testes da vacina CoronaVac em voluntários com mais de 60 anos. Segundo o pesquisador, os dados indicam um “excelente perfil de segurança” do imunizante, desenvolvido pela empresa chinesa Sinovac Biotech.

Edição: Lílian Beraldo

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Covid-19: número de casos estabiliza e mortes caem 6% na semana

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O número de casos de covid-19 ficaram estabilizados na última semana epidemiológica (40) em comparação com a anterior (39), com oscilação de 0,5%. Já as mortes em função da pandemia caíram 6% no mesmo período, considerado por especialistas como uma estabilidade na evolução da curva.

Os dados estão no Boletim Epidemiológico da Covid-19, divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (8). O documento avalia a evolução da pandemia no Brasil e traz dados nacionais e regionais do fenômeno. Ele considerou a semana epidemiológica 40, de 27 de setembro a 3 de outubro. O termo é empregado para designar períodos utilizados por autoridades de saúde.

A semana epidemiológica 40 teve 188.842 novos casos, contra 189.751 na semana epidemiológica 39. A média diária caiu para 26.977. Na evolução da curva, é possível perceber uma tendência de queda, mas com oscilações para cima e momentos de estabilização, como nessa última semana.

 

Casos da covid-19 por SE da notificaçãoCasos da covid-19 por SE da notificação

Casos da covid-19 por SE da notificação – Ministério da Saúde

Já o número de casos caiu, mas dentro da margem de estabilidade. Na semana epidemiológica 40 foram registrados 4.581 novos óbitos, enquanto na semana anterior haviam sido notificados 4.874 mortes por covid-19. A média diária ficou em 654. Na análise da curva, a tendência de queda aparece de modo mais claro desde a semana epidemiológica 30, após dois meses de platô.

Óbitos da covid-19 por SE da notificaçãoÓbitos da covid-19 por SE da notificação

Óbitos da covid-19 por SE da notificação – Ministério da Saúde

 

Em relação aos casos, seis estados tiveram aumento no período analisado, sendo os maiores no Rio Grande do Sul (59%) e Rio de Janeiro (42%). Mais nove unidades da Federação ficaram estáveis e 12 apresentaram redução de diagnósticos entre as duas semanas epidemiológicas, com as maiores quedas em Rondônia (-26%) e Mato Grosso (-21%).

Quando consideradas as mortes, oito unidades da Federação tiveram elevação, tendo os maiores resultados no Amazonas (123%) e Acre (38%). Oito locais ficaram estabilizados e mais 11 apresentaram diminuição, sendo as mais acentuadas na Paraíba (-38%) e no Pará (-29).

A distribuição geográfica apresentou uma reversão do processo de interiorização. A proporção de casos em localidades do interior caiu de 63% para 59% entre as semanas epidemiológicas 39 e 40, enquanto aqueles notificados em regiões metropolitanas subiram de 37% para 41%. Quando consideradas as mortes, as duas modalidades de cidades estão empatadas, com metade dos óbitos cada uma.

9 Representação da dinâmica de redução, estabilização e incremento do registro de casos (A) e óbitos (B) novos de covid-19,  por UF, na SE 40. Brasil, 20209 Representação da dinâmica de redução, estabilização e incremento do registro de casos (A) e óbitos (B) novos de covid-19,  por UF, na SE 40. Brasil, 2020

Representação da dinâmica de redução, estabilização e incremento do registro de casos (A) e óbitos (B) novos de covid-19, por UF, na SE 40. Brasil, 2020 – Ministério da Saúde

SRAG

O Boletim Epidemiológico também traz dados sobre ocorrências de Síndrome Aguda Respiratória Grave (SRAG). Desde o início da contagem, no começo do ano, até agora, foram registrados 418.070 casos de internação por SRAG com covid-19. Mais 82.497 ainda estão em investigação.

Em relação ao perfil, a faixa etária com mais situações deste tipo é a de 60 a 69 anos (85,8 mil), seguida por 50 a 59 (76,6 mil) e 80 a 89 (72,9 mil). Na divisão por gênero, 235,5 mil eram homens e 182,4 mil, mulheres. Na ocorrência por cor e raça, 144,1 mil eram brancos, 140,9 mil eram pardos, 20 mil eram pretos, 4,5 mil eram amarelos, 1,4 mil eram indígenas, em 73,7 mil casos a característica foi ignorada e em 33,2 mil não havia informação.

Testes

Desde o início da pandemia, foram distribuídas 7,5 milhões de reações de testes laboratoriais RT-PCR. Os estados que mais receberam foram Rio de Janeiro (1,2 bilhão), São Paulo (1,18 bilhão) e Paraná (984 milhões). No mesmo período, foram realizados 4,1 milhões de exames em todo o país.

De acordo com o Boletim Epidemiológico, o número de testes solicitados por semana epidemiológica vem caindo desde a semana epidemiológica 35, com uma oscilação para cima na semana epidemiológica 37. Na última semana foram solicitados 228.812 exames, contra 239.041 na semana epidemiológica anterior. O documento pondera que os dados estão sujeitos a alterações.

7 Total de exames solicitados para suspeitos de covid-19 por SE em 2020, por data de coleta  7 Total de exames solicitados para suspeitos de covid-19 por SE em 2020, por data de coleta

 

Edição: Fábio Massalli

Fonte: EBC Saúde

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