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São Mateus

Saúde em São Mateus vira “caos” com debandada de 10 médicos

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SÃO MATEUS (ES) – O atendimento na área de saúde em São Mateus que já há algum tempo vinha sendo precário, agora tornou-se ainda pior depois de uma denúncia que teve o protagonismo do prefeito Daniel Santana Barbosa. Conclusão: dez médicos que atendiam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), pediram demissão. E o que é pior: trabalhavam sem qualquer vínculo empregatício com o município. E, pior ainda: atendiam pacientes nos plantões fora dos padrões determinados pelo Conselho Regional de Medicina (CRM).

Mas os problemas não param por aí. Há notícias dando conta do pedido de exoneração do Secretário de Saúde Eduardo depois que o prefeito em um vídeo que circulou em redes sociais teria anunciado que “cobraria dele” explicações sobre casos de não atendimento de pacientes na UPA, o que gerou o estopim para a crise na saúde no município de São Mateus.

Reprodução: Redes Sociais

A ex-coordenadora da Unidade Vitória Valadares Motta – ela está entre os 10 profissionais que pediram demissão em solidariedade à médica Nayra Fundão que foi repelida no vídeo pelo prefeito Daniel – revelou que a UPA não oferece qualquer condição de trabalho, sem contar que extrapola a quantidade de atendimento preconizado pelo CRM. “A UPA é uma extensão do Pronto Socorro que precisou ser fechado. Os médicos não possuem condições clinicas para trabalhar, faltando o básico para oferecer atendimento condizente a quem a procura”, explicou.

A reportagem tentou por diversas vezes contato com Eduardo para saber se realmente havia pedido demissão e também respondesse sobre a carta de repúdio, mas nas mensagens por telefone remetia que estava em reunião e não poderia atender.

Em nota de repúdio os profissionais que atendiam na UPA justificam a razão do pedido de demissão:

NOTA DE REPÚDIO

  São Mateus/ES, 11 de setembro de 2018.

Dos profissionais médicos da UPA São Mateus/ES ao Senhor Prefeito Daniel Santana.

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C/c ao Presidente do CRM Regional São Mateus/ES.

 Nós, médicos da UPA São Mateus, ficamos estarrecidos com a exposição desnecessária, gratuita e midiática feita pelo Senhor Dilton Pinha, junto ao Senhor Prefeito na página “Boca do Trombone” acerca de um atendimento neste serviço. Ações essas que foram divulgadas nas redes sociais com o objetivo de denegrir a imagem médica.

No dia 9 de setembro de 2018, a médica Nayra Fundão deixou o plantão às 17:50h, após 97 atendimentos, previamente acordado com a direção deste estabelecimento. No dia 09 de setembro não havia médico clínico na escala da UPA.  A profissional acima se colocou à disposição para cobrir o plantão na condição de deixar o mesmo até às 18h, pois às 19h assumiria plantão na UMI em Jaguaré/ES. Para cobertura dos atendimentos encontravam-se na UPA os médicos Wandra Prado e Marcos Tafuri. Em nenhum momento a UPA deixou de ter médico presente durante o período do plantão (7-19h).

Segundo informações coletadas com a recepcionista Maria Célia, uma paciente adentrou às dependências da UPA por volta de 18 horas. Ao ser questionada sobre atendimento a recepcionista informou que o mesmo ocorreria a partir das 19h.

Celia relata que não houve resistência por parte da paciente e seu acompanhante, tampouco a paciente relatou o motivo do atendimento, pois uma vez que fosse informado que a mesma apresentava dor, qualquer um dos médicos supracitados estava à disposição para atendê-la. Em seguida o acompanhante saiu ao telefone.

Por volta de 18:15h o prefeito Daniel Santana e Dilton Pinha entraram na UPA. Ao mesmo momento a paciente começou a chorar e falar em tom alto que não tinha recebido atendimento pois não havia médico. A ficha da paciente foi gerada às 18:34h e atendida imediatamente pelo médico Marcus Tafuri.

O que se viu foi uma total falta de respeito, com difamação da reputação de médicos em uma atitude desrespeitosa e lamentável. Nossos colegas e os usuários da internet puderam assistir às cenas de opressão, constrangimento e consternação dos citados em vídeo.

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Após a divulgação dos vídeos no Facebook ocorreu uma verdadeira campanha de desvalorização do profissional envolvido, que foi exposto e se sentiu constrangido pelo efeito catastrófico da publicação que incitou o ódio da população contra ele e os demais profissionais, com comentários jocosos e desrespeitosos. Houve ainda a generalização de toda uma categoria profissional. Mesmo trabalhando em condições precárias, atendendo mais que o dobro preconizado pelo CFM por plantão (40 pacientes a cada 12h), sem equipe de limpeza e de segurança adequadas, com falta de exames e de mão de obra especializada, somos constantemente insultados.

Não satisfeito com o ocorrido o Sr. Dilton vem por vários episódios insistindo em ofender a reputação médica, e em forma de perseguição faz diversas publicações de caráter difamatório. Não é segredo o objetivo deste blog desde sua criação, bem como os inúmeros processos por calúnia e difamação que o mesmo apresenta.

Citamos ainda ocorrido em 8 de setembro de 2018, por volta de 22:30h, onde um homem armado adentrou nas dependências da UPA, rendeu pacientes e o motorista da ambulância, gerou pânico local e saiu em posse de uma caminhonete e um cordão de ouro. Fato esse que pode ser comprovado via boletim de ocorrência feito no ato. Nos causa estranheza que o ocorrido não tenha repercutido no mesmo blog. Fica comprovado a vulnerabilidade do serviço e a objetivo de induzir a população a estar contra o servidor público.

Nós, médicos, trilhamos um duro caminho para atingir o objetivo de atender nossos pacientes da melhor forma possível, mas são necessárias condições mínimas para que isso ocorra. Somos cobrados pela sociedade por resultados imediatos, mas não temos as ferramentas necessárias para tal. Atendemos uma demanda infinitamente superior a ideal em todos os níveis de atenção e isso certamente compromete a qualidade da prestação de serviços. Muitas vezes somos cobrados por produtividade em detrimento à qualidade de atendimento, movidos pelas diretrizes e repasses financeiros entre as diferentes esferas de governo.

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Nos posicionamos terminantemente contrários à exposição da imagem de qualquer profissional médico em seu exercício profissional, bem como a divulgação de seus nomes em qualquer tipo de mídia. Esperamos que situações semelhantes não sejam reincidentes, e desejamos que, assim como o escárnio foi público, que a retratação também seja.

Espera-se do Senhor Prefeito que procure se empenhar em melhorar os padrões dos serviços médicos e em assumir sua responsabilidade em relação à saúde pública, à educação sanitária e à legislação referente à saúde. Também se espera que seja solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja por remuneração digna e justa, bem como por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético-profissional da medicina e seu aprimoramento técnico-científico. Desejamos que a gestão seja baseada no diálogo com os profissionais da rede, cujas considerações e vivências não podem e não devem ser ignoradas.

Por fim pedimos o desligamento dos profissionais médicos que não concordam com a maneira em que a situação acima foi colocada, bem como não acreditam que exposição midiática sem diálogo entre os envolvidos vá resolver qualquer falta que exista no âmbito da saúde. Não podemos permitir que nossa reputação seja denegrida.

Atualmente o corpo clínico da UPA é composto por 6 médicos efetivos, 1 médica em licença maternidade e 14 médicos contratados, dos quais 10 pedem o desligamento imediato. Pedimos também a exclusão dos dados dos profissionais do CNES.

Estão abaixo listados os médicos lotados nesta instituição e que concordam na totalidade com o descrito acima.

Este documento torna-se válido a partir da sua entrega e divulgação.


Abaixo segue vídeo do prefeito Daniel na internet:

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São Mateus

Agentes penitenciários recebem ameaças nas redes sociais em São Mateus

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Supostos familiares de presos chamam os servidores públicos de “corja de bandidos” e sugerem juntar dinheiro para “matar um por um desses canalhas”. Ameaças foram feitas na internet após parentes de detentos realizarem protesto contra supostas torturas em presídio de São Mateus

SÃO MATEUS (ES) – “Vamos criar um grupo de WhatsApp de parentes de presos para ficarmos mais fortes contra essa corja de bandidos e juntos fazermos uma parceria e arrecadar dinheiro para matar um por um desses canalhas”. O comentário com ameaça de morte contra inspetores penitenciários está circulando nas redes sociais e foi feito na tarde desta segunda-feira (18), horas depois de um protesto organizado por parentes de detentos  da Penitenciária Regional de São Mateus  contra supostas torturas a presos praticadas pelos servidores.

Quem escreveu o comentário se identifica como familiar de um interno e diz que é “lamentável” a denúncia que o detento faz. “Tenho um parente lá e é lamentável o que a gente escuta dele que acontece lá dentro, é de se revoltar contra uns imundos que estão lá defendendo seu miserável salário de R$ 2 mil para cuidar, não judiar”, diz outro comentário do mesmo homem.

O suposto parente de preso ainda ameaça as famílias dos inspetores penitenciários, que são chamados de “vermes imundos”. “Esses vermes imundos estão com os dias contados para começarem a pagar pelo que fazem. Logo, logo vocês vão ver o que vai acontecer com esses vermes ou com a família deles, para que eles comecem a refletir o sofrimento que estão causando a famílias de detentos. Eles não são juízes nem policiais para estarem fazendo Justiça com as próprias mãos a pessoas que estão algemadas e sendo espancadas feitos cachorros nas mãos desses vagabundos que se acham o tal e se acham os donos da verdade”, argumenta o homem.

Além disso, a mesma pessoa sugere a organização de uma nova manifestação para a fechar a BR 101 durante um dia inteiro. Uma mulher, que se identifica como esposa de um preso, responde: “Estamos juntos, então. Se continuar isso mesmo a gente faz outro protesto. Preso também tem família, não está abandonado”. No protesto desta segunda-feira, os manifestantes interditaram a rodovia federal, no quilômetro 71, em São Mateus, por uma hora.

PROCESSO

diretor de Comunicação do Sindicato dos Inspetores do Sistema Penitenciário do Espírito Santo, Jonathan Furlani, contou que o órgão está ciente das ameaças e um advogado já foi acionado para que sejam tomadas as medidas cabíveis.

É inadmissível esse tipo de comentário. Há poucos dias já denunciamos uma advogada e faremos quantas vezes for necessário para que as pessoas entendam que insinuações levianas, desrespeitosas e até ameaças não serão aceitas”, destacou Furlani.

Ele também contou que o suposto familiar de detento, que fez os comentários ameaçadores, nas redes sociais foi identificado e será processado pelo sindicato. “Os advogados já estão trabalhando neste caso. São ameaças graves e que precisam de respostas nas vias judiciais”, afirmou.

Furlani ressaltou que denúncias de tortura são atendidas pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e que os inspetores penitenciários atuam de forma humana. “Nossos servidores trabalham exaustivamente, carregam o sistema prisional no braço, temos o pior salário da federação, muitas das nossas reivindicações não são atendidas e ainda assim fazemos nosso trabalho de forma legalista e humana”, defendeu.

SEJUS

Procurada, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) informou, por nota, que tem conhecimento das ameaças contra os inspetores penitenciários feitas pelas redes sociais. Além disso, ressaltou que a Diretoria de Inteligência Prisional trabalha em conjunto com os demais órgãos de segurança pública a fim de averiguar as informações sobre os envolvidos nas ameaças para o devido encaminhamento ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES).


(*Gazeta on line)

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