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Primeiro atleta a nadar até Alcatrazes sonha tornar percurso em evento

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Área de preservação ambiental e utilizada para treinamentos da Marinha, o Arquipélago de Alcatrazes, no litoral norte paulista, passou mais de 30 anos fechado, mas foi reaberto ao turismo em 2018. No mesmo ano, o empresário Ricardo Augusto Oliveira realizou o sonho de alcançar o arquipélago à nado. Ele saiu da praia do Camburi, em São Sebastião (SP), na tarde de 2 de abril, enfrentou os cerca de 40 quilômetros que separam a cidade e o complexo, e concluiu a travessia em 15 horas e 30 minutos, na manhã do dia seguinte. Agora, ele quer transformar o desafio em evento.

“Alcatrazes é fora de série. É muito bonito. Quem vai para lá de barco, começa a imaginar que se trata de algo pré-histórico, espera seres voadores, porque é um lugar fantástico e ermo. Ter nadado até lá me deu grande prazer”, revela Ricardo, que compete em águas abertas desde 2009. “Contei com a derivação das águas vindo do sul para o leste. Foi uma estratégia interessante”, conta.

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Alcatrazes reúne cerca de 1,3 mil espécies aquáticas e insulares de fauna e flora, algumas delas em extinção. O arquipélago ocupa uma área de aproximadamente 68 mil hectares, ao norte de São Paulo. 

Em 2018, o empresário Ricardo Augusto saiu de São Sebastião (SP) e cruzou a nado cerca de 40 quilômetros até chegar em Alcatrazes – Ricardo Augusto / Arquivo Pessoal.

O atleta e empresário organiza eventos na região, como a Volta a Nado, realizada desde 2017, em que os atletas contornam as ilhas de Alcatrazes a nado. O objetivo, agora, é fazer com que a travessia da praia do Camburi até o arquipélago vire um desafio com apelo semelhante à do Canal da Mancha, que separa o Reino Unido da França.

“O que mais motiva é testar outros nadadores e saber se há tem alguém casca grossa, se eu fui fora de série ou se, de repente, há mais gente capaz. No fim, é a competitividade que está em todos nós, atletas, e quero botar à prova”, afirma Ricardo. “Quando tive êxito [em Alcatrazes], três atletas quiseram fazer [a travessia] e até chegaram a propor a documentação ao ICMBio, mas, por algum motivo, não deram sequência. O [melhor] período é de dezembro a abril, que tem menos vento e maior incidência de luz do dia”, completa.

De acordo com Ricardo Augusto, a ideia é que o evento possa movimentar o turismo no litoral norte. Entre hotéis, pousadas e hostels, a região (que também engloba as cidades de Ubatuba, Caraguatatuba e Ilhabela, além de São Sebastião) tem cerca de 60 mil leitos. O nadador cita como referência a Travessia do Leme ao Pontal, com extensão de 35 quilômetros, que liga as zonas sul e oeste da cidade do Rio de Janeiro. “Cada inscrito gasta de R$ 5 mil a R$ 7 mil para participar do evento, mais passagens aéreas, hospedagem e a alimentação”, descreve.

O melhor período para se fazer a travessia, de acordo com Ricardo Augusto, é de dezembro a abril, período de menos vento e maior incidência de luz do dia – Ricardo Augusto / Arquivo Pessoal.

Em nota, o ICMBio explica que a realização de uma travessia como essa em Alcatrazes é regulamentada por uma Instrução Normativa de junho do ano passado, que “dispõe sobre as práticas de governança e gestão dos processos dos órgãos e entidades que atuam nas transferências voluntárias de recursos da União”. A solicitação, de acordo com o órgão, é feita pelo portal do Governo Federal e as datas são de responsabilidade dos organizadores, “desde que observadas as condições do mar”.

Como é lá fora

O desafio no canal que liga a cidade francesa de Calais ao município inglês de Dover tem um trajeto, em linha reta, de aproximadamente 35 quilômetros. O trecho foi percorrido pela pela primeira vez em 1875, pelo britânico Matthew Webb. De lá para cá, mais de 2,5 mil travessias foram completadas. Três delas por Igor de Souza, uma 1996 e duas no ano seguinte, quando se tornou o primeiro brasileiro a realizar o percurso em ida e volta, em 18 horas e 33 minutos.

“[Alcatrazes] Tem uma distância maior [que o Canal da Mancha], mas um grau de dificuldade que, creio, é o mesmo. Lá tem a água fria e em Alcatrazes há a mudança das correntes. É um desafio que pode virar sucesso até internacional”, analisa Igor, que hoje é diretor de marketing da Speedo no Brasil. “Muitos atletas vão para lá com uma equipe multidisciplinar e chegam com antecedência de, pelo menos, uma semana. Podemos falar em 10 dias de estadia. Com Alcatrazes, pode acontecer a mesma coisa”, emenda.

Segundo ele, transformar Alcatrazes em uma “versão brasileira” da travessia do Canal da Mancha envolveria um protocolo semelhante ao que existe na Europa. “Há uma associação, que segue regras da federação inglesa de natação. Ela é quem dá os períodos, pois é quem tem a previsão da maré, então, teria que fazer algo similar aqui”, explica.

“Com três ou quatro meses de antecedência, [o participante] tem de comprovar que está treinado, que realizou eventos preparatórios de, pelo menos, seis horas a uma certa temperatura e apresentar um laudo médico, mostrando que está apto a fazer uma atividade de tamanho esforço. [No Brasil] Você terá que ter autorização da Marinha e, provavelmente, um árbitro oficial da federação paulista de natação para homologar o resultado”, conclui Igor.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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Pelé representou “o talento absoluto do futebol brasileiro”

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Como descrever Pelé? “O nível do futebol de Pelé é absoluto. Melhor do que todos os outros. Ele tinha uma habilidade extraordinária, fisicamente era abençoado”, esta é a opinião do jornalista esportivo Márcio Guedes. Em 51 anos de carreira, o comentarista do programa No Mundo da Bola, transmitido aos domingos pela TV Brasil, acompanhou in loco momentos marcantes da vida do craque, como o gol mil e a conquista da Copa do Mundo de 1970, no México.

Com passagens por importantes veículos de comunicação como Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, O Dia, Rede Globo, TV Record, TV Bandeirantes, Correio da Manhã, Jornal da Tarde e ESPN, o jornalista também fala nesta entrevista à Agência Brasil sobre como Pelé ajudou o futebol brasileiro a começar a ser admirado em todo o mundo.

Pelé,Seleção brasileira no aeroporto, durante excursão a Madri, junho 1966. Arquivo Nacional. Fundo Correio da ManhãPelé,Seleção brasileira no aeroporto, durante excursão a Madri, junho 1966. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã

Pelé (esquerda) e outros jogadores da seleção em Madri (Espanha) em 1966 – Arquivo Nacional/Correio da Manhã.

Agência Brasil – Qual o momento mais marcante da trajetória de Pelé?

Márcio Guedes – Destacaria dois momentos fora de série. O primeiro deles foi o milésimo gol. Este gol custou a sair. Em vários jogos ele acabou não conseguindo marcar. Chegou então o jogo com o Vasco no Maracanã, e o país inteiro estava mobilizado em torno do gol do Pelé, que acabou saindo em cobrança de pênalti. Todos queriam o gol em uma jogada de campo, mas acabou saindo de pênalti e foi uma alegria, uma festa. Foi notícia no mundo todo. Agora, quando se fala de conquista esportiva, diria que foi a Copa de 1970. Isto porque 1958 foi o início dele, quando apareceu para o mundo. Já em 1962 ele teve uma contusão no segundo jogo e ficou fora de praticamente toda a competição. Então, faltava uma participação intensa e total em um Mundial. Em 1970 ele fez uma Copa muito boa, teve também uma cabeçada no jogo contra a Inglaterra, que o goleiro Gordon Banks defendeu e que é falada até hoje. Então diria que a conquista do Tri, a importante participação dele nessa campanha, e o que ele fez na final contra a Itália, com um gol de cabeça espetacular, foi um momento marcante da carreira de Pelé.

Com três títulos, Pelé é o maior ganhador de Copa do MundoCom três títulos, Pelé é o maior ganhador de Copa do Mundo

Pelé é o único jogador de futebol a conquistar três edições de Copa do Mundo – Direitos reservados/Divulgação CBF.

Agência Brasil – Como profissional, o que representou acompanhar de perto a carreira do maior jogador de todos os tempos?

Guedes – É curioso. Naquela época havia tantos craques, uma variedade tão grande de jogadores espetaculares, que não chegou a ser uma coisa diferente como hoje em dia quando alguém acompanha Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo. Hoje, o argentino e o português estão muito acima dos outros. Pelé estava acima dos outros jogadores de sua época, mas não era tanto assim. Tinha o Garrincha também, que tinha outro estilo, mas era um fenômeno que todos acompanhavam com grande interesse. Outro fator que pode ter servido para dispersar este fascínio é que o país ainda não era tão unido pelos meios de comunicação. Todos sabiam que Pelé era maravilhoso, mas isto só começou a aparecer de forma mais intensa no final dos anos 1960, começo dos anos 1970. Assim, penso que ele começa a ser mais falado após o final de sua carreira.

Agência Brasil – Pelé já afirmou que nunca se sentiu o rei do futebol. A alcunha é justa?

Guedes – Sim, a alcunha é justa. Isto porque o nível do futebol de Pelé é absoluto, melhor do que de todos os outros. Ele tinha uma habilidade extraordinária, fisicamente era abençoado, conseguia ganhar vários lances apenas usando o físico. Era um jogador veloz e oportunista, e até mesmo voltava para marcar os adversários, pelo menos até o meio do campo. Ele era completo, e era um atleta também. Além disso, tinha a cabeça muito boa, não criava caso com ninguém. Você vai a qualquer lugar do mundo, vai à China, ao Japão, à Coreia, à Tanzânia, você fala de Pelé e todos sabem quem é, o maior jogador de futebol de todos os tempos.

Agência Brasil – Qual a maior contribuição de Pelé para o futebol brasileiro?

Guedes – Foi a propaganda que ele fez de nosso futebol. Nos anos de 1950 nosso futebol era considerado muito sem estrutura, taticamente muito ruim. Além disso, o entendimento é que na hora da decisão perdíamos os jogos. Assim, Pelé representou a força do futebol brasileiro, o talento absoluto de nosso futebol. Ele era o maior do mundo e era brasileiro. Então, essa imagem do nosso futebol, que se espalhou por todo o mundo, foi sua maior contribuição.

Edição: Verônica Dalcanal

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