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Outdoors e até torcida organizada: os movimentos que seguem apoiando a Lava Jato

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Diogo da Silva/Agência Pública

Apoiadores da Lava Jato espalham outdoors favoráveis à operação nas ruas de Curitiba

No início de julho de 2019, os moradores de Curitiba se depararam com rostos diferentes dos das costumeiras modelos estampados nos outdoors da cidade. Eram caras conhecidas. Quem saudava os curitibanos, sorrindo, eram o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador-chefe da força- tarefa, Deltan Dallagnol. Foram cerca de 30 outdoors espalhados pelas ruas da capital paranaense nas cores verde, amarelo e preto, estampando a mensagem: “Lava Jato – Eu Apoio/Eu Acredito – #SOMOSTODOSLAVAJATO”.

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Os outdoors apareceram cerca de um mês após as primeiras publicações dos diálogos dos procuradores vazados ao The Intercept Brasil e analisados com veículos parceiros, entre eles a Agência Pública .

“Colocamos no sentido de que nós continuamos apoiando os dois, continuamos apoiando a Lava Jato”, explica a arquiteta Rosemeire Cordeiro Maciel Boddy, uma das fundadoras do movimento curitibano Brasil Estou Aqui, um dos grupos por trás da campanha de mídia externa. “Os ataques foram personalíssimos contra o Sergio Moro e o Deltan Dallagnol, então fizemos uma defesa personalíssima e proposital”, diz Paula Carneiro Bettega, do movimento Lava Togas.

A campanha apareceu pela cidade meses depois de uma polêmico outdoor ter sido colocado diante do aeroporto, celebrando os cinco anos da força-tarefa mais famosa do país. Mas, enquanto naquele caso o procurador Diogo Castor de Mattos é apontado como suspeito de ser o contratante e investigado em dois procedimentos investigativos no Conselho Nacional do Ministério Público, além de uma ação popular que busca esclarecer a autoria, grupos cidadãos de Curitiba assumem a produção de dezenas de outras campanhas louvando o trabalho do Ministério Público Federal.

Há três anos os mesmos três movimentos – Brasil Estou Aqui, Vem Pra Rua e Lava Togas – têm interferido na paisagem urbana da capital paranaense para demonstrar seu apoio ao que chamam de “República de Curitiba”. Desde maio de 2017, houve cinco campanhas de mídia externa registradas pela imprensa paranaense. Em média foram 30 outdoors por campanha, totalizando mais de cem deles, sempre veiculados em momentos-chave da força-tarefa.

Além do apoio à Lava Jato, as campanhas tiveram como principal alvo o ex-presidente Lula, sempre retratado de forma crítica por meio da imagem conhecida como “Pixuleco”, com roupas de presidiário e atrás de grades.

A primeira campanha foi veiculada cerca de uma semana antes da data do primeiro depoimento de Lula em Curitiba, que ocorreu no dia 10 de maio de 2017. O outdoor dizia: “A ‘República de Curitiba’ te espera de grades abertas”. No segundo depoimento de Lula, em 13 de setembro de 2017, mais 32 outdoors advertiam: “A lei é para todos!!” – era uma referência ao filme homônimo Polícia Federal – A lei é para todos . A terceira campanha, no mês de agosto de 2018, cobrava providências ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a candidatura de Lula para a eleição presidencial. Nela, 20 outdoors novamente estampavam a caricatura do líder petista como presidiário. “STF: Candidato condenado NÃO!”. Na época, condenado em segunda instância, Lula estava preso na Polícia Federal em Curitiba graças a um entendimento do STF que acabou sendo revertido no final de 2019.

Em janeiro deste ano, os mesmo grupos assinam campanha de apoio à prisão em segunda instância, com a frase “De prisão em segunda instância, só bandido quer distância!” dividindo espaço com a figura do “pixuleco”, que aparece com bola e corrente no tornozelo. A autoria foi confirmada por Paula Bettega, que informou ainda que a campanha é formada por 36 outdoors.

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Amor pela República

A reportagem da Pública encontrou três integrantes do grupo Brasil Estou Aqui na avenida Batel, no bairro mais nobre de Curitiba, em um café e empório, em novembro de 2019. As entrevistadas chegaram uma a uma e ocuparam a mesa, que dividia espaço com vitrines de doces coloridos e alimentos naturais. Logo no começo as três se disseram não politizadas, assim como também não consideram seu grupo um movimento, mas sim uma “ação” de caráter apolítico. Elas se dizem “não dependentes da Lava Jato”, “idealistas”, “liberais”, “de direita” e “antipetistas”.

Nas palavras de Rosemeire Cordeiro Maciel Boddy, “nós somos pessoas comuns: a Mônica é dentista, a Lúcia é dona de casa e eu sou arquiteta. Nós não somos politizadas, nós não somos estudiosas. Nós só queremos que o Brasil dê certo. Temos amor pelo Brasil e queremos ajudar nosso país”.

Rose, como é conhecida Rosemeire, esbanja jovialidade. Disse sentir “um chamado desde criança”. Lembra-se, desde muito nova, de ouvir falar sobre a corrupção no país. Então, decidiu que precisava fazer algo. “Como meu pai sempre falava muito contra o Lula, essa coisa contra o Partido dos Trabalhadores, eu senti essa necessidade de lutar contra a corrupção na qual o PT estava inserido”, define a arquiteta. Apesar da antipatia, ela afirma com ironia que “o PT nos uniu”, em referência às amizades feitas nos últimos anos.

A dentista Mônica Kobayashi Sanches também admite que sempre passou longe da política: “Fui uma adolescente idiota. A gente acha que é só viver a vida”. Segundo ela, o movimento Diretas-Já despertou seu interesse pela política. Para Mônica, “Collor foi um mal necessário, assim como o Lula e o PT. Um mal necessário para a gente crescer como nação. Aécio é um mal necessário, FHC foi um mal necessário”. Questionada sobre Bolsonaro, ela completou sua resposta. “Também é um mal necessário. Nesse momento que o país está vivendo, talvez ele fosse a única resposta. Não sei se ele é a melhor resposta, talvez não. A gente nunca fez campanha. Não somos bolsominions nem nada.”

Mônica é uma das fundadoras de outro grupo que, segundo ela, foi o primeiro a apoiar a Lava Jato em Curitiba, o Laços de Apoio ao Brasil, fundado em 2014. Foram pioneiros em levar seu apoio às ruas. Após a reeleição de Dilma Rousseff, sua principal ação foi adesivar 170 mil veículos, ao custo de mais de R$ 50 mil, captados em doações, segundo a Gazeta do Povo – ainda hoje, se veem esses adesivos, com os dizeres “Lava-Jato eu apoio”, pelas ruas da capital.

“Adesivávamos debaixo de chuva e sol. Íamos para o Parque Barigui [o mais frequentado de Curitiba], Alto da XV [bairro da região central]. Eu ia viajar e levava adesivo para os Estados Unidos, Chile, Argentina… teve até boneco de neve com adesivo da Lava Jato”, conta, rindo, a dona de casa Lúcia Cabral.

Segundo Mônica, o Laços de Apoio ao Brasil foi pioneiro também na utilização de outdoors para divulgar sua visão, uma propaganda com o texto “A justiça é nossa esperança. O povo brasileiro apoia a Lava Jato”, veiculada em Curitiba, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “Foi muito ‘dez’, teve outdoor em tudo que é canto”, diz.

Hoje, Mônica lamenta o fim do grupo, que atribui à “vaidade”, mas se diz feliz no atual Brasil Estou Aqui, que, embora tenha se envolvido em outras manifestações, atualmente é mesmo conhecido por seus outdoors.

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“É uma produção interna, temos vários publicitários dentro do grupo. Não há uma agência. Eles fazem pra gente pro bono , por amor à causa”, diz Paula. Ela conta que os três movimentos aprovam conjuntamente as artes. “A equipe local de publicitários é do Lava Togas, mas aprovamos [a campanha] junto com os outros grupos. É tão singela a ideia que parece que estou falando uma bobagem. A gente desenvolve um produto, senta com as coordenações, aprova e… prega chumbo!”

Em suas primeiras campanhas, a Brasil Estou Aqui conseguia pagar apenas por dez outdoors. Cada integrante ficava responsável por patrocinar um outdoor. “Vimos que isso dava resultado”, diz Mônica. “Eu tinha amigos em Campo Grande [MS] que me ligavam: ‘Mônica, seu outdoor está aqui’”. Segundo ela, o apoio financeiro às campanhas é exclusivamente feito por indivíduos: “Empresa não, só pessoa física”.

Rose, Monica e Lúcia votaram em Bolsonaro já no primeiro turno das eleições de 2018, apesar de não se declararem como “bolsonaristas”. Lúcia se mostra a mais convicta sobre o voto no atual presidente. Já em relação às recentes decisões do STF, elas são unânimes. “Eu quero um país justo. É tão triste ver o Supremo Tribunal agindo em favor dos bandidos, dos criminosos, dos traficantes, e nós que somos pessoas comuns, que trabalhamos, estudamos, que levantamos cedo… não nos sentimos representados”, diz Rose. Mônica completa: “Nós somos povo, não nascemos em berço de ouro”.

Lava Togas

A revolta contra as decisões do STF também gerou um movimento próprio na classe média alta curitibana: o Lava Togas.

A advogada Paula Carneiro Bettega e o engenheiro José Roberto Saad do Nascimento receberam a reportagem em uma tarde de chuva anunciada, em outubro de 2019, num café em um dos shoppings mais antigos da capital. Paula carrega sobrenomes de famílias tradicionais da cidade, presentes em nomes de ruas e conhecidos nas esferas do poder regional. Ela explicou que o grupo surgiu em junho de 2016, durante a noite de autógrafos em Curitiba do livro Sergio Moro – A história do homem por trás da operação que mudou o Brasil , de autoria de Joice Hasselmann, hoje senadora do PSL por São Paulo.

“Na hora que chegou a imprensa [no evento de Joice], nós levantamos as placas de ‘Lava Togas Já!’. Ali nasceu o Lava Togas”, relembra.

Segundo ela, o movimento é formado por um “grupo participativo, heterogêneo, mulheres e homens, meio a meio, profissionais liberais de todos os tipos, empresários, professores, atletas, jornalistas”. O Lava Togas planeja suas atividades em um grupo fechado no Facebook, mas também possui perfil no Instagram e grupos de WhatsApp entre seus integrantes, que, segundo Paula, seguem um estatuto e se encontram presencialmente.

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Um ponto alto, segundo ambos, foi o uso de um helicóptero na noite de 13 de setembro de 2017, quando Lula fez um discurso no centro de Curitiba. O helicóptero carregava um painel de LED com dizeres como “Vamos acabar com esses corruptos ladrões” ou “Tirem as mãos do nosso país”.

Questionada sobre uma possível inconstitucionalidade levantada por juristas em referência a uma “CPI da Lava Toga”, vista como uma interferência do poder Legislativo sobre o Judiciário, Paula afirma que a ideia não seria “revisar” algum ato judicial, mas investigar a ingerência de outros poderes dentro do Judiciário. “A minha opinião pessoal é de que é possível”, diz.

Ambos os entrevistados do Lava Togas concordaram que Bolsonaro foi o candidato que melhor se aproveitou da maré antipetista, carregando junto sua ex-legenda. “O que o elegeu [Bolsonaro] e elegeu grande parte do PSL foi exatamente o antipetismo. As pessoas não tinham muito a noção ‘contra a corrupção’, foi exatamente se contrapor ao petismo”, explica José Roberto.

Embora critiquem veementemente o poder judiciário, os integrantes do Lava Togas não abrem mão da defesa de Sérgio Moro e dos procuradores de Curitiba. Tanto que os vazamentos publicados pelo The Intercept Brasil – que apontam atuação do juiz em arranjo com os procuradores, ferindo a imparcialidade da Justiça – parecem não ter abalado o apoio de Paula à Lava Jato. “Primeira questão: as mensagens foram roubadas, ponto. É prova ilícita.”, argumenta. “E se mudarmos o modo de pensar e valer prova ilícita e prova sem perícia, então vamos fechar o Congresso!”, sentencia.

“Descontinho”

Os grupos que assinam as campanhas afirmaram à reportagem que gastaram R$ 1 mil por outdoor, pagos pela vigência de 30 dias de exposição. Mas a reportagem apurou com empresas do ramo que o valor do cálculo – 30 outdoors pelo valor de R$ 30 mil – não corresponde ao que se cobra no mercado. Apenas um outdoor específico utilizado pela campanha mais recente, localizado na BR-116, que liga Curitiba a São Paulo, com front-light – painel de lona com iluminação frontal – e medindo 10 metros por 4 metros, da empresa Margeon, custa R$ 3.568 por 30 dias de exibição. O valor cobre a impressão da lona (R$ 1.300) e a contratação do ponto (R$ 2.268).

“Nós temos empresas parceiras que só pagamos pela lona”, explica Rose. “Quando o ponto ficava vazio, ela [a empresa dona do outdoor] ia lá e recolocava a lona.” Indagadas se a parceria se devia ao alinhamento à pauta, o grupo concorda: “Exatamente, a favor da ação”, afirma Lúcia. Já sobre a discrepância entre valores divulgados e valores de mercado, Paula, do Lava Togas, afirmou que as empresas concedem “um descontinho”.

Procuradas, as empresas que alugaram outdoors para as campanhas – Ampla Mídia, Margeon Comunicação Visual, Menezes Outdoor, Outdoormídia, Rede Outdoor e RPO Mídia – não responderam às perguntas da reportagem.

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A advogada Paula se diz muito satisfeita com o impacto dos outdoors. “Foram campanhas grandes, houve muita repercussão. Sempre tem gente que gosta e gente que não gosta. Essa é a democracia. Temos que conviver com isso”.

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Brasil pode ter ao menos 44 mil mortes; isolar só idosos eleva nº para 529 mil

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A eficácia do isolamento mais amplo se aplicaria em todo o mundo, segundo os pesquisadores. Eles estimam que, na ausência de intervenções, a covid-19 resultaria em 7 bilhões de infecções (quase toda a população global) e 40 milhões de mortes em todo o mundo este ano

Uma estratégia de isolamento social de manter só idosos em casa, como sugere o presidente Jair Bolsonaro, ainda poderia levar à morte mais de 529 mil pessoas no Brasil por covid-19. O número é metade do que se projeta para um cenário em que nada fosse feito no País para conter a dispersão do coronavírus (1,15 milhão de óbitos). Mas é bem mais alto do que a estimativa para um isolamento social rápido e amplo. Mesmo com essa restrição mais drástica, haveria ao menos 44 mil mortes pela doença.

Os números fazem parte da nova pesquisa do Grupo de Resposta à covid-19 do Imperial College de Londres. Os cientistas vêm fazendo quase em tempo real projeções matemáticas do avanço da pandemia e avaliam as ações em andamento.

Foi um trabalho dessa equipe com projeções para Estados Unidos e Reino Unido que fez o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, recuar sobre a ideia de adotar isolamento vertical (quarentena só de alguns grupos, como idosos e doentes crônicos). Johnson foi diagnosticado com covid-19 na sexta-feira, 27.

Segundo o jornal The New York Times, estimativas feitas por esses cientistas também influenciaram a Casa Branca a enrijecer medidas de isolamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também recomenda o isolamento social. Já Bolsonaro tem criticado governadores que determinaram fechar o comércio e diz ter receio de uma crise econômica.

O trabalho mais recente do Imperial College, divulgado na quinta-feira, 26, expandiu a modelagem para 202 países. Liderados por Neil Ferguson, eles comparam possíveis impactos sobre a mortalidade em vários cenários: ausência de intervenções, com distanciamento social mais brando, que chamam de mitigação, ou mais restrito, a supressão.

As estimativas foram feitas com base em dados da China, onde a doença foi registrada pela primeira vez em dezembro, e de países de alta renda. Significa que para nações de baixa renda a realidade pode ser ainda mais grave do que a apontada. A estimativa de cerca de 44 mil mortes para o Brasil considera o cenário mais amplo de isolamento, e feito de modo rápido.

A eficácia do isolamento mais amplo se aplicaria em todo o mundo, segundo os pesquisadores. Eles estimam que, na ausência de intervenções, a covid-19 resultaria em 7 bilhões de infecções (quase toda a população global) e 40 milhões de mortes em todo o mundo este ano.

“Estratégias de mitigação focadas na blindagem de idosos (reduzir em 60% os contatos sociais) e desaceleração, mas não interrupção da transmissão (redução de 40% nos contatos sociais para uma população mais ampla) poderiam reduzir esse ônus pela metade, salvando 20 milhões de vidas, mas prevemos que, mesmo nesse cenário, sistemas de saúde em todos os países serão rapidamente sobrecarregados”, dizem os cientistas.

O Brasil já prevê demanda crescente no SUS. No País, até a sexta-feira, já havia 92 mortes confirmadas.

“É provável que esse efeito seja mais grave em contextos de baixa renda, onde a capacidade é mais baixa. Como resultado, prevemos que o verdadeiro ônus em ambientes de baixa renda que buscam estratégias de mitigação podem ser substancialmente mais altos do que o refletido nessas estimativas”, continuam os pesquisadores.

Apontam ainda que a demanda por ajuda médica só ficará em níveis manejáveis com adoção rápida de medidas de saúde pública para suprimir a transmissão, similares às de China e Coreia do Sul. Eles listam os testes em massa, o isolamento de casos e medidas mais amplas de distanciamento social.

“Se uma estratégia de supressão for implementada precocemente (com 0,2 morte por 100 mil habitantes por semana) e sustentada, então 38,7 milhões de vidas podem ser salvas. Se for iniciada quando o número de óbitos for maior (1,6 óbito por 100 mil habitantes por semana), só 30,7 milhões de vidas poderiam ser salvas”, escrevem eles, sobre as projeções globais. “Atrasos na implementação de ações para suprimir a transmissão levarão a piores resultados e menos vidas salvas.”

Consequências

Eles ponderam não considerar impactos sociais e econômicos mais amplos da supressão. Reconhecem que esses efeitos serão altos e podem ser desproporcionais em áreas de baixa renda.

Os pesquisadores reforçam, como já tinham dito em estudos anteriores, que as estratégias de supressão teriam de ser mantidas, com breves interrupções, até que vacinas ou tratamentos eficazes se tornem disponíveis.

Pesquisas sobre imunizantes já começaram, mas demandam uma série de testes e dificilmente a vacina chegará ao mercado ainda este ano. “Nossa análise destaca as decisões desafiadoras enfrentadas por todos os governos nas próximas semanas e meses, mas demonstra como uma ação rápida, decisiva e coletiva agora poderia salvar milhões.”


(*O Estado de S. Paulo)

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