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Economia

Milionários pedem que governos aumentem seus impostos diante da pandemia

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notas de dólar
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Milionários dizem que aumentar taxa de impostos é “a única escolha”


Em meio à crise da pandemia do novo coronavírus , um grupo de 80 milionários se uniram para enviar uma carta a seus governos, pedindo que paguem por impostos mais caros. Mesmo com cerca de 199 mil milionários, nenhum brasileiro assinou a carta.


“Hoje, nós, milionários que assinamos esta carta, pedimos aos nossos governos que aumentem impostos sobre pessoas como nós. Imediatamente. Substancialmente. Permanentemente”, afirmam, alertando a seus líderes sobre a possibilidade de uma crise econômica capaz de durar por anos e anos.

O grupo, organizado pelo projeto Millionaires for Humanity (Milionários pela Humanidade, em português), ainda chama atenção para pessoas que podem ser levadas à pobreza, calculadas pelo grupo em cerca de meio bilhão.

“Ao contrário de dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, não precisamos nos preocupar em perder nossos empregos, casas ou nossa capacidade de sustentar nossas famílias. Então por favor. Taxe-nos. É a escolha certa. É a única escolha”, escrevem.

Assinaram a carta milionários da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Holanda, Nova Zelândia e Reino Unido. Entre essas pessoas está Jerry Greenfield, um dos fundadores da marca de sorvete Ben and Jerry’s, e Abigail e Tim Disney.

A ideia surgiu no parlamento do Reino Unido e foi apresentada pela oposição, segundo a Forbes, como maneira de tirar o peso dos mais pobres diante da crise econômica causada pela pandemia . Assim, o grupo de milionários espera poder contribuir com financiamento para áreas como educação, segurança e saúde por meio do aumento dos impostos.

Brasil de fora

O Brasil é o 18º na lista de países com maior número de pessoas milionárias, segundo World Wealth Report, e teve um crescimento de 7% neste ano.

O motivo de ficar em uma posição “vantajosa” que o coloca na frente de países mais ricos, como Áustria e Suécia, se dá pelo tamanho do país.

Por outro lado, os Estados Unidos estão prestes a alcançar a marca de 6 milhões de milionários. O país, ao lado de Alemanha, China e Japão, têm 61,6% da população milionária.

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Entregadores Antifascistas: apps de entrega executam ‘promessa’ de Bolsonaro

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greve dos entregadores
Paulo Galo/Divulgação

Paulo Lima, o “Galo”, na linha de frente de manifestação de entregadores do Rappi na Avenida Paulista

“Vai perguntar para o escravo qual fazenda ele prefere. Ele quer é ir para os Palmares”. Assim reage Paulo Galo Lima, 31, o “Galo”, líder do movimento autodenominado “Entregadores Antifascistas”, à pergunta sobre possíveis diferenças e preferências entre os aplicativos de entrega. Para ele, o problema não é individual, mas sim do sistema – tanto em relação aos apps quanto ao capitalismo de modo geral.

Dessa inconformidade com as “coisas erradas do capitalismo” e a dura realidade dos trabalhadores informais no Brasil e no mundo surgiu o movimento Entregadores Antifascistas , que reúne motoboys de todo o País na luta contra a precarização do trabalho e por direitos. Galo, representante do grupo, vê relação direta entre a negação da política, a ascensão do fascismo e a eleição do presidente Jair Bolsonaro. Para o entregador, “só não viu quem não quis” que o governo trabalharia para acentuar a informalidade no mercado de trabalho e ainda se orgulharia disso. A ‘uberização’, como é chamada a suposta parceria entre prestadores de serviço e aplicativos, é, para Galo, “a cara” do discurso de “mais empregos e menos direitos” que foi muito difundido pelo então candidato à presidência Bolsonaro e seu hoje ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a campanha eleitoral.

Os entregadores , “parceiros” dos aplicativos, não parecem satisfeitos com iFood, Uber Eats, Rappi, Loggi e James, principais plataformas de entrega que atuam no Brasil. De encontro a imagem de “empreendedor” que é vendida pelas empresas sobre os motoboys, eles relatam uma situação cada vez pior. Com a pandemia, o delivery teve e segue tendo crescimento expressivo em muitos locais, já que milhões de brasileiros ficaram em suas casas e tiveram o privilégio de cumprir isolamento social . Os entregadores de aplicativos, com isso, viraram linha de frente. Sob sol ou chuva, por muito tempo sem ter sequer máscaras de proteção contra o novo coronavírus e álcool em gel fornecidos pelas empresas, os motoboys atravessam as ruas das cidades para garantir a quarentena dos que podiam – e dos que ainda podem – estar em casa.

Qual o perfil dos entregadores e como a pandemia afetou suas vidas

Segundo pesquisa realizada em São Paulo no ano passado pela associação Aliança Bike, na média, o entregador é morador de periferia, negro ou pardo (71%), homem e jovem. Metade tem até 22 anos, e 59% estava desempregado até passar a realizar entregas. “Mais empregos”, como queria Bolsonaro , já que muitos passaram a ter uma renda. O levantamento mostra ainda que, para chegarem à remuneração média de R$ 936,00, valor abaixo do salário mínimo nacional, hoje de R$ 1.045, os motoboys trabalham nos sete dias da semana (57%) e têm jornada diária de 9 horas. “Menos direitos”, como também queria Bolsonaro. Como se não bastasse trabalhar em todos os dias da semana por 9 horas, eles precisam pedalar, em média, 60 km por dia. Desse total, 40 km vai para as entregas propriamente e outros 20 km são para o deslocamento até as periferias, onde moram.

Com o sucesso dos aplicativos e o aumento do número de pedidos desde o início da pandemia, a remuneração dos trabalhadores caiu, segundo Galo e, de forma unânime, todos os entregadores ouvidos pelo iG , que atuam em São Paulo e Niterói (RJ), e preferem não ser identificados. As empresas atribuem essa menor remuneração ao aumento do número de entregadores. Naturalmente, se há mais pessoas fazendo entregas, menos pedidos sobra para cada um. Os motoboys respondem, porém, de forma lógica: não foi só o número de entregadores que subiu. Se também há mais pedidos, a conta não fecha. O valor de cada entrega, segundo os trabalhadores, vem caindo com o passar do tempo. Na prática, as empresas crescem, conseguem mais “parceiros” com o aumento do desemprego no País e há cada vez mais jovens buscando uma forma de sustento e passando a realizar entregas, que surge como “solução”.

Os Entregadores Antifascistas acreditam que é justamente esse o ponto central da discussão. “A ideia é mostrar que as empresas dependem dos trabalhadores e que sem nós eles não ganham dinheiro. “Existe força de trabalho sem patrão, mas não existe patrão sem força de trabalho”, defende Galo. O líder do momento vê ainda que a chegada dos aplicativos de entrega a países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento é um padrão. Segundo ele, os apps surgem glamourizando as entregas, como uma espécie de “complemento de renda”, mas sabem que, na verdade, será a principal ou única fonte de renda dos entregadores, majoritariamente jovens e pobres.

Greve dos entregadores tem apoio dos Antifascistas, mas há separação

Além de líder dos antifascistas, Paulo Lima é também apoiador da nova greve dos entregadores , convocada para este sábado (25). Ele deixa, claro, porém, que as duas coisas são separadas. “A greve não é contra ou a favor do Bolsonaro, tem muitos lá dentro que apoiam ele, mas aderem [à greve] porque são contra a precarização do trabalho e querem direitos e proteção para os entregadores”, diz. “É importante deixar claro que a gente apoia totalmente a greve, mas uma coisa são os Entregadores Antifascistas e outra coisa é a greve dos entregadores”.

Pessoalmente, porém, ele diz não conseguir separar uma coisa da outra. “Greve é um ato político, é para dizer que não somos empreendedores, somos trabalhadores e temos que nos unir e construir uma sequência de lutas, espalhar isso pelo mundo e buscar direitos e garantias para nós”. Galo completa ainda que “A luta por direitos une essas pautas [antifascistas] e os trabalhadores, e isso está ligado, sim, com a luta contra a precarização. A greve em si já é política”.

A greve prevista para este sábado será a 2ª grande paralisação nacional dos motoboys no mês de julho. A primeira aconteceu no dia 1º e, segundo Galo, “Mostrou a união e a importância da luta dos entregadores”. Apesar de dizer que ainda não houve mudanças após a primeira greve, ele entende que “é com organização que a gente luta pelos nossos direitos”. Orgulhoso, ele conta que foi “um dos últimos” a sair da ponte estaiada no último “Breque dos Apps” e reitera que é preciso se unir e lutar, porque sem isso a tendência é só piorar.

Ciente da falta de resultados práticos da luta e das dificuldades do processo, o líder do movimento de entregadores antifascistas se mostra feliz, porém, com a repercussão da greve e a impressionante adesão em muitas partes do Brasil – e até mesmo em outros países latinos. Galo cita, ainda, que o iFood , por exemplo, “sentiu o golpe” e investiu ainda mais em propagandas no horário nobre da TV aberta. “No dia da greve mesmo o iFood passou no intervalo do Jornal Nacional, da Rede Globo, comercial do patrão querendo limpar a imagem e pagar de bom moço, dizer que trata bem funcionário”, ironiza.

Bloqueado dos apps, Galo vive do auxílio emergencial e de “bicos”

Bloqueado pelos aplicativos de entrega para os quais trabalhava desde meados de março, Galo se encontra desempregado desde então e diz que, no momento, depende do auxílio emergencial de R$ 600 do governo federal e de dias que consegue realizar entregas por fora dos aplicativos, diretamente para os estabelecimentos, o que era realidade em um passado não tão distante para os motoboys.

Fazer entregas antes dos apps era melhor? Para ele, “Trabalhando diretamente para os restaurantes já tinha e ainda tem problema, mas você trabalhava bem menos para ganhar o que ganha hoje com os aplicativos. Começando 19h e indo até o lugar fechar, por volta de 0h, 0h30, você ganhava uma pizza ou alguma comida antes de começar, tinha um banheiro para usar e não precisava ficar rodando São Paulo para fazer entrega. Era buscar, levar para o cliente, voltar para o lugar e já sair de novo, dentro daquela área. Trabalhando esse tempo aí, em uma noite, você fazia R$ 100, R$ 120. Hoje, para fazer isso, é no mínimo 12 horas trabalhando por dia”, relata.

“Hoje, além de não ter garantia nenhuma e ter que ficar rodando atrás de pedido, você chega no estabelecimento e é maltratado, não te dão nada, muitas vezes é o dia todo quase sem comer porque não dá para parar. Tem que ficar rodando até você cumprir sua meta. Não dá para parar antes de fazer R$ 100, R$ 120, se não depois não tem como pagar as contas. Tem que fazer sua meta e depois se virar para trabalhar o quanto precisar”, diz o motoboy.

Galo ganhou espaço na mídia justamente quando foi bloqueado, em março. Durante o percurso para realizar uma entrega, o pneu de sua moto, que ainda não estava nem quitada, explodiu. Sem conseguir terminar a entrega, ele explicou a situação para a Uber, que à época garantiu que ele não sofreria penalização. No dia seguinte, contudo, ele foi bloqueado e decidiu gravar vídeo para expor seu caso, sua insatisfação e “denunciar a injustiça” que viveu. O caso viralizou nas redes sociais e, após outras críticas aos apps e busca por direitos, Galo foi bloqueado pelos três principais apps de entrega, iFood, Uber Eats e Rappi, e diz que desde então não conseguiu o desbloqueio.

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