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Giulia dos Santos: "200%" para estar em Tóquio

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Décima sexta colocada no ranking mundial, a judoca Giulia dos Santos Pereira, atleta da classe B1 (para cegos “totais”), é o Brasil na busca por uma das vagas nos Jogos Paralímpicos da categoria até 48 kg (lembrando que são 10 vagas no total, uma delas destinada ao Japão, duas para as melhores “B1” – a brasileira é a quinta atualmente – e uma vaga reservada à IBSA – entidade que organiza a modalidade mundialmente – e as demais são das seis primeiras que não tenham sido classificadas por esses critérios anteriores). O calendário prevê duas competições até o fechamento do ranking para os Jogos Paralímpicos. O Aberto de Nottingham (Inglaterra), de oito a 14 de abril, e o de Baku (Azerbaijão), de sete a 13 de maio. ” Tenho certeza que eu vou muito bem nessas duas disputas para garantir essa vaga. Estar lá no Japão, onde o judô nasceu, vai ser a realização de mais um sonho. Quero dar os meus “200%” para estar lá. “100%” é muito pouco.” 

O desafio de estrear nas Paralimpíadas é gigantesco. Mas a garota já está acostumada a superar adversidades bem maiores. Deficiente visual desde bebê, a jovem do Guarujá (litoral paulista) nasceu de cinco meses de gestação, teve que passar mais quatro meses na incubadora. A má formação no globo ocular fez com que ela tenha menos de 10% da visão no olho direito e seja completamente cega do olho esquerdo. “Tinha vergonha de tudo e não me aceitava. A preocupação da minha mãe era o que ia ser de mim quando eu crescesse”.
Em 2011, isso começou a mudar. ” Na escola que eu frequentava, notei que existiam pessoas iguais a mim ou até em situações piores. Foi ali que decidi encarar os desafios de frente.”  

Judô

O começo no esporte foi no ano seguinte com o incentivo de uma figura bem próxima. ” O meu pai. Ele foi fundamental. Fomos ao clube do lado da nossa casa e entrei na turma das professoras Fabiane Okuda e a Rosane Aguiar, que já tinham sido até atletas olímpicas. A partir daí não parei mais.”

Independência

Em 2015, veio a primeira viagem sozinha para fora do estado. Giulia foi para Natal (RN) disputar o Campeonato Brasileiro da Juventude. ” Meu pai não pôde me acompanhar. E eu fui assim mesmo. Ninguém esperava essa convocação. Foram seis dias de uma experiência nova para mim. Mais um desafio. No início tive receio, porque não conhecida ninguém. Mas deu tudo super certo. Ganhei duas medalhas: a da minha categoria e a da absoluto. Ainda recebi também o troféu de destaque da competição. Isso tudo me motivou a seguir adiante.”
E, logo em 2016, ela já estava na Seleção Brasileira de base, representando o país e ganhando a medalha de prata no Pan-Americano de Jovens em São Paulo.

Parapan Lima 2019

A primeira das 11 medalhas brasileiras nos Jogos de Lima veio justamente da Giulia. E foi dourada lutando em uma categoria acima (até 52 quilos). ” Foi uma surpresa. Sabia que eu me sairia bem. Mas não esperava tanto.” Durante a trajetória no Peru, a judoca venceu a medalhista paralímpica Karla Cardoso ( prata em Atenas – 2004 e Pequim – 2008 ). ” Ela é uma referência para mim. Tenha uma profunda admiração por ela. A ente se ajuda muito nos treinos. Somos amigas. Acho o fundamental é que as duas querem crescer juntas. Isso é fundamental.”

Intercâmbio no exterior

A paulista foi uma das 11 atletas que esteve recentemente na Europa participando de dois intercâmbios na Alemanha e na Espanha. ” Eu sou apaixonada por treinamentos de campo. É muito bom pegar no kimono do pessoal de fora. Você aprende coisas diferentes a cada segundo; é uma outra visão. Você sempre volta diferente dessas viagens.” Entre os diversos amigos com os quais teve contato na recente viagem pela Europa, Giulia destaca dois personagens. O primeiro é o treinador português Pedro Dias. ” Quando eu fui graduada para faixa amarela, foi ele que fez a troca. É um grande amigo que morou aqui no Brasil durante vários anos, além de ter sido atleta olímpico em Pequim 2008. Ele me chamou para participar de um treino na cidade dele e eu fui, fiquei cinco dias por lá. Foi incrível. Ele é um cara que revela muitos atletas de destaque e tem muito conhecimento para passar. Gostaria de chegar aos pés dele algum dia.” A outra é a judoca espanhola Maria Gómez. ” Foi um treino estratégico. Ela é do meu peso e muito forte.”

São Paulo

Depois de anos encarando uma maratona diária de Guarujá a Santos, saindo de casa às 16 horas e voltando às 23 horas, para treinar, em 2019, as escalas e os intervalos dessas viagens mudaram. É que ela veio morar na capital paulista. Todo semana, ela sai do Guarujá no domingo e fica em São Paulo até sexta-feira. “Chegar aqui foi uma coisa incrível. Era um outro sonho que eu tinha há bastante tempo. Os meus treinos mudaram muito, tudo mudou. Meus técnicos me ajudam demais. Supero diversas dificuldades diariamente. Moro com uma família, mas no dia a dia estou sozinha. Tenho que estar preparada para tudo.”

Faculdade

Giulia já está no segundo ano da faculdade de Educação Física na Facudade UniSant´Anna. ” Passa muito rápido. Nem acredito que já estou no terceiro semestre. Em 2021, já acabo a “licenciatura”. E, em 2022, se Deus quiser, já faço mais um ano de bacharelado e estarei formada na minha área tão sonhada.” Preocupada com a vida depois da carreira de atleta, ela lembra o receio de não conseguir conciliar a vida de atleta com os estudos e o incentivo da família para que ela não parasse de buscar mais conhecimentos. ” Lá no início, eu não queria fazer essa faculdade. Tinha medo de não conseguir fazer todas as viagens com a seleção e entregar todos os trabalhos. Mas minha família me alertou sobre a importância do curso. Agora eu sempre falo que posso estar viajando o ano inteiro, mas não vou deixar a Faculdade de jeito nenhum. O atleta não pensa muito no futuro. Mas a vida de atleta pode acabar daqui dez anos ou pode acabar hoje. Agradeço muito aos meus familiares e ao meu técnico, o Jaime Bragança, por não deixarem eu abandonar os estudos.”

Edição: Aécio Amado

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Esportes

Com jogos suspensos, capitães de times das séries C e D recorrem à CBF

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Os capitães dos clubes que disputam as séries C e D do Campeonato Brasileiro pediram à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por meio de abaixo-assinado, apoio financeiro durante a suspensão das competições nacionais, por tempo indeterminado, em função do combate à pandemia do novo coronavírus (covid-19). Os torneios estavam previstos para começar no primeiro fim de semana de maio.

No documento, os capitães de 68 times da quarta divisão solicitam à CBF uma cota financeira de participação às equipes, como ocorre nas séries A e B, e a manutenção da forma de disputa. O abaixo-assinado explica que, diferentemente de outros anos, a edição 2020 da Série D contemplará um calendário mais extenso. Se em 2019 o torneio acabou em meados de agosto, desta vez, a previsão é ir até novembro, “possibilitando a mais de dois mil atletas, pais de família, emprego durante toda a temporada”.

Ouça na Rádio Nacional

 

Na primeira fase, por exemplo, serão 14 jogos por equipe. Na competição passada, foram seis. Ou seja, para mais da metade dos participantes, o Brasileirão já tinha acabado com menos de um mês de bola rolando. “Desta vez, a fase de grupos traria uma garantia de pelo menos três, quatro meses de contrato a esses trabalhadores”, destaca à Agência Brasil o advogado Filipe Rino, que auxilia os atletas da Série D. “Em virtude dessa pandemia, não sabemos como ficará a situação no Brasil e no mundo. Por isso, os atletas pedem que, a princípio, não seja alterada a fórmula, que melhorou muito, ficou compatível”, completa.

A outra solicitação, de caráter financeiro, considera a baixa arrecadação dos times da Série D, acentuada com o período sem futebol e sem previsão de volta às atividades, “o que acarreta sérias dificuldades de arcar com o pagamento de nossa remuneração (salários e direitos de imagem) e encargos trabalhistas” de acordo com o abaixo-assinado. “Se os clubes (…) não tiverem o mínimo suporte neste momento tão delicado, nossos empregos correm sérios riscos, o que causaria danos sociais irreparáveis”, continua o documento.

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Jogo da volta da final série D do Brasileirão 2019, entre Manaus e Brusque. – Thais Magalhães/CBF/Direitos Reservados

A estimativa é que a folha salarial mensal dos times da quarta divisão nacional seja, em média, de R$ 120 mil, com os salários dos atletas, também em média, na casa dos R$ 4 mil. “Os jogadores solicitam que a CBF auxilie os clubes de alguma forma, para que eles tenham a condição financeira de pagar os funcionários. Protocolamos o documento e estamos aguardando resposta”, explica Rino.

Na Série C, se a princípio não há temor de mudança na forma de disputa – a principal mudança foi a disputa de dois quadrangulares na segunda fase, ao invés de mata-mata -, a preocupação financeira é a mesma. O documento assinado pelos capitães dos 20 times participantes destaca o apoio que as equipes recebem da CBF “quanto à logística das partidas (viagens e hospedagens)”, mas, alerta que “para os clubes e atletas que disputam a Série C, (os impactos da suspensão por tempo indeterminado) serão ainda mais graves, pois são muito mais suscetíveis aos danos causados pelas perdas geradas pela suspensão, e pelo ônus de arcar com seus compromissos durante a paralisação”.

O abaixo-assinado cita a “iminência de uma crise sem precedentes que pode gerar abalos severos às vidas de inúmeras famílias” e pede à CBF “doação de recursos para os clubes da Série C, com destinação exclusiva de manter em dia o pagamento dos salários e imagens dos seus atletas, a fim de auxiliar, ou ao menos minimizar, os impactos financeiros advindos desta enorme crise mundial, considerando que são os atletas os principais protagonistas, sem os quais não haveria o espetáculo do futebol e, neste momento, potencialmente mais atingidos, vista a nossa notória hipossuficiência (carência financeira)”.

 

 

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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