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Festa de São Sebastião e São Benedito anima Conceição da Barra

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SÃO MATEUS – A virada de ano e o mês de janeiro serão animados, com festas e celebração da cultura capixaba em Conceição da Barra, na Região Turística do Verde e das Águas. Acontecem entre sexta-feira (30) e 22 de janeiro manifestações com diversos grupos da cultura popular capixaba para homenagear São Benedito e São Sebastião.
As celebrações acontecem na sede do município entre sexta-feira (30) e domingo (01). Já nos dias 13, 14 e 15 de janeiro as apresentações serão em Barreiras.
As homenagens a São Sebastião e São Benedito continuam em Itaúnas, entre os dias 11 a 22 de janeiro. Durante as comemorações muita música, dança e cultura, resgatando as origens de Conceição da Barra.
Os bailados e os cânticos do Jongo, Reis de Boi, Congo, Alardo e do Ticumbi animam os diversos dias de comemorações e exaltam ainda mais a cultura capixaba.
A Secretaria de Estado de Turismo (Setur) apoia a realização de eventos como esse no Espírito Santo, incentivando o capixaba a conhecer e a valorizar a cultura local.
Alardo
A expressão folclórica, de intenção religiosa, louva São Sebastião e São João Batista. O grupo se apresenta em terreiro, em geral, a roupa é a comum, mas há os que se vestem como índios, com saias de palmito, penachos coloridos, colares de contas, adornos de pena nos braços e tornozelos.
O instrumental se assemelha ao de uma pequena banda musical, mas alguns conjuntos adotam apenas os tambores. Cada dançador porta duas flechas que servem para embelezar as evoluções e funcionam como marcadoras de ritmo, acompanhando as batidas de pés.
Banda de Congo
Uma das mais importantes manifestações da cultura popular tradicional do Espírito Santo, as Bandas de Congo, tem origem indígena, porém, a partir do século XIX foi registrada a participação dos negros nas “bandas de índios” ocorrendo, assim, a apropriação por empréstimo entre o escravo africano e os índios nativos e com o sincretismo passou a ter São Benedito como santo de devoção. É considerada manifestação folclórica, por ser um grupo musical de estrutura simplificada, com dançadores e um dirigente (mestre), possui coreografia própria, sem texto dramático, e outras pessoas podem ser incluídas, isto quer dizer: podem participar desta manifestação própria dos capixabas.
As Bandas de Congo têm seu ritmo marcado por tambores e a casaca. A casaca é o instrumento típico das Bandas de Congo do Espírito Santo. Os tambores marcam o ritmo forte. Quando parados, os congueiros se sentam nos tambores e formam um círculo; quando em movimento, os tambores são dependurados por alças apoiados nos ombros.
Capoeira
Capoeira, entre outros significados, é luta para os angolenses. Por muito tempo essa foi também, no Brasil, sua principal função, usada como defesa do escravo contra o branco que o perseguia. Mais tarde passou a servir de divertimento (brinquedo) nas reuniões festivas. Com o tempo, perdeu seu caráter de luta, adquirindo uma técnica sistematizada de jogo, chegando a ser motivo para a criação de academias de capoeira, sendo a primeira delas a do mestre Bimba, fundada em Salvador (BA), em 1932.
O conjunto instrumental (berimbau, pandeiros, ganzás, agogôs, adufes, atabaques) acompanha o vocal, possuidor de um repertório de cantigas próprio e/ou emprestado de outras manifestações e conduz o ritmo, apoiando os golpes. Assim como a música, e ginga, os toques e golpes da capoeira são heranças que sobrevivem acrescidas de inovações.
Jongo
O Jongo envolve canto, dança e percussão de tambores. De origem africana, chegou ao Brasil através dos negros escravos. Considerado a raiz mais primitiva do samba, difundiu-se nas regiões cafeicultoras, fato que explica a sua existência quase que exclusiva no sudeste do país. Doze mulheres, vestindo blusa branca, saia e lenço azul na cabeça são componentes do Jongo. Fazem parte também três homens, que tocam tambores e um reco-reco.
Reis de Boi
O Reis de Boi é um auto em homenagem aos Santos Reis. É realizado no ciclo de Natal, prolongando-se até o dia de São Brás, comemorado no dia 03 de fevereiro. É dividido em duas partes: uma de louvação aos Santos Reis e outra de teatralização.
É a expressão folclórica mais popular da região Norte do Espírito Santo, sendo o “Boi” a principal atração. O “vaqueiro” conduz “bichos” apavorantes – componentes do grupo que usam máscaras de lobos, fantasmas, lobisomens, cavalos-marinhos, e outras que fazem parte da memória coletiva. Assim que a bicharada entra em cena, as crianças fogem assustadas e ao mesmo tempo fascinadas. Este misto de medo e fascínio que garante a popularidade da celebração.
Com um bastão é entoada a marcha que rege o sapateado do vaqueiro, que usa roupa velha com paletó pelo avesso, bolso de fora e máscara. Após a exibição, ele pára ofegante, e discursa – conta de onde vem e relata acontecimentos que todos sabem, de forma satírica. Canta-se, então a chamada do “Boi”, que entra em cena dançando, fazendo graça, dando voltas e chifradas.
Em alguns grupos, terminada a cantoria, ocorre a morte e ressurreição do Boi. Assim que estrela da festa cai no chão o sanfoneiro puxa a música para que seja feita a divisão do boi. Um coro canta um refrão a cada pedaço vendido.
Ticumbi
O Ticumbi é um folguedo existente no Norte do Espírito Santo há mais de 200 anos. A cada ano os grupos elegem um tema, representado em seus cânticos, bailados e evoluções. Os passos da brincadeira são coreografados.
A dramatização do auto é simples: o “Reis de Congo” e o “Reis de Bamba”, duas majestades negras, querem fazer, separadamente, a festa de São Benedito. Há embaixadas de parte a parte, com desafios atrevidos declamados pelos “Secretários” que desempenham o papel de embaixadores. Por não ser possível qualquer acordo ou conciliação, trava-se a guerra – agitada luta bailada entre os dois rivais. Como é tradição, o “Reis de Congo” consagra-se vencedor, submetendo o “Reis de Bamba” e seus vassalos ao batismo. O auto termina com a festa em homenagem a São Benedito, quando então, os componentes cantam e dançam o Ticumbi.
Para apresentar o Ticumbi, o grupo se veste a caráter. Os integrantes usam longas batas brancas e rendadas, com traspasse de fitas coloridas e calças compridas brancas com friso lateral vermelho. A cabeça é coberta por um lenço branco, um vistoso capacete enfeitado de flores de papel de seda e fitas longas de várias cores. Os reis usam coroas de papelão, ricamente ornamentadas com papel dourado ou prateado, peitoral vistoso com espelhinhos e flores de papel brilhante, capa comprida, e, na mão ou na cinta, longa espada.
O ritmo das encenações é regido por pandeiros e chocalhos de lata, chamados de “ganzás” ou “canzás”. A viola dá o tom no momento que os guerreiros cantam.

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