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Educadores divergem sobre ganhos com novas férias escolares anunciadas por Doria

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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB),  anunciou no fim de abril mudanças no calendário escolar para a rede estadual
a partir de 2020. A principal delas trata-se do encurtamento do período de férias escolares de julho, que foram desmembradas entre abril e outubro.

A justificativa de Doria e também do secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, é de que a redução do tempo de férias escolares
em julho ajudará os alunos e professores, já que se trata de uma “espécie de descompressão” o que, supostamente, ajudaria a aumentar a aprendizagem dos estudantes.


Rossieli Soares e João Doria
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo – 26.4.19
Rossieli Soares, secretário estadual da Educação (centro), e João Doria (PSDB), governador de São Paulo, anunciam mudanças nas férias escolares para 2020

A pesquisadora Luciene Regina Paulino Tognetta, professora do departamento de psicologia da educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), disse concordar em partes com o argumento. Ela disse ver a mudança como positiva por possibilitar “descansos espaçados” aos alunos, mas acredita que o problema educacional
paulista não será resolvido apenas com isso.

“A mudança é boa por tirar o peso do final do ano, já que existe a possibilidade de mais descansos. Mas isso não é a maior ferida (da educação). Com apenas essa medida, não se mexe no problema principal”, disse Luciene ao iG
. “É preciso rever a metodologia de avaliação de um professor, quais são os conteúdos necessários para as aulas. Essa medida tem seu valor, mas ela não é suficiente para superar o problema da educação.”

Para a pesquisadora, Rossieli Soares
tem razão quando alega que o desmembramento no período de férias irá contribuir com a “diminuição do cansaço, da ansiedade e das muitas faltas que normalmente acontecem no final do ano”, porém é preciso juntá-lo a um plano de redistribuição da grade curricular e fazer com que os alunos tenham maior participação em assembleias de classe.

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“Pausas são necessárias não só para a educação, mas em qualquer área e para qualquer ser humano, ainda mais quem trabalha com a mente, como os professores. Mas é preciso olhar para a formação dos professores, para o currículo e uma renovação da escola. É necessário pensar em medidas para prevenir o bullying”, pondera Luciene.

Já o professor e coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, vê a medida como uma forma de o governador João Doria
mudar o foco diante do que tem sido feito no Ministério da Educação, como o corte no orçamento das universidades recentemente anunciado pelo governo federal
.

“Eu gostaria que eles mostrassem os estudos em que se basearam. Não tem nada que seja efetivamente analítico até agora”, diz Cara. “Eu vejo como uma medida muito mais pautada no sentido de gerar novidade para a população. Creio que seja mais um fato político do Doria para que seja tema durante todos os absurdos feitos nacionalmente do que de fato algo relativo à educação”, complementa.

Ao contrário de Luciene, Daniel Cara disse acreditar que a pausa em abril e outubro não ajuda no aprendizado dos alunos
e muito menos no trabalho dos professores. “Vai atrapalhar, certamente, porque mexe no planejamento da vida das pessoas. É a típica atitude descomprometida e mais preocupada em gerar notícia”, opina. Para ele, se houver algum efeito direto no ensino estadual, “será negativo”. “No mínimo, vai ser indiferente”, salienta.

Luciene, por outro lado, recordou que as férias em quatro períodos é uma fórmula já utilizada em outros países, mas com motivos “mais concretos” do que os que foram dados pelas autoridades de São Paulo
. “Na Europa, por exemplo, eles fazem de acordo com o período do ano. É um estudo geográfico por conta de períodos muito frios”, lembra. “Mas se o que o Doria fizer for apenas uma cópia de países europeus, é uma medida que não se sustenta”, acrescenta.

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Questionado se a medida poderia ser adotada também pelo setor privado, Cara foi enfático: “Não acredito nisso. Não creio que uma mudança dessa mexa na estrutura educacional”.

Mudanças nas férias vai impulsionar turismo em SP?


estudantes em escola
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Mudanças no calendário afetarão cerca de 3,5 milhões de estudantes em São Paulo

Outra explicação dada pelo governo estadual para o anúncio das mudanças no calendário escolar foi o de que o turismo paulista seria beneficiado com quatro períodos de férias porque a “pressão” do turismo em julho acabaria. Os educadores ouvidos pela reportagem, entretanto, discordam da argumentação apresentada pelo secretário de Turismo de São Paulo, Vinicius Lummertz.

“Se a medida é sobre educação, ela tem que ser voltada para a educação. Eu não tenho que pensar no turismo nesse momento. Existem alunos se matando na escola, eles não vão viajar e o bullying vai acabar”, ironiza Luciene. “O que eu percebi é que, quando ele não tem argumentação, ele cita isso do turismo. Certamente os pais não vão poder tirar férias dessa nova maneira, muito menos professores por conta do salário horrível”, pondera Cara.

Procurado pela reportagem do iG
, o Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de São Paulo (Sindetur-SP) não respondeu se a mudança deve interferir, positiva ou negativamente, no turismo paulista.

Cerca de 3,5 milhões de estudantes devem ser afetados com os novos períodos de férias escolares
 na rede pública estadual a partir do ano que vem. O próximo ano letivo começa no dia 3 de fevereiro, com encerramento previsto para 22 de dezembro. O objetivo é organizar o calendário e o planejamento das atividades pedagógicas, além de garantir que docentes que atuam nas redes estadual e municipais consigam conciliar os períodos de recesso escolar e férias.

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Fonte: IG Política
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Portal do MEC tira dúvidas sobre carteira de estudante digital

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Agência Brasil

modelo de carteira de estudante digital arrow-options
Divulgação/MEC
Nova carteirinha estudantil será inteiramente digital e gratuita

O Ministério da Educação (MEC) lançou nesta segunda-feira (16) o portal da ID Estudantil , que traz informações para estudantes de todo o país sobre a nova carteira de estudante digital gratuita. Os estudantes poderão adquirir o documento nas lojas Google Play e Apple Store a partir de dezembro.

O documento permitirá o pagamento de meia-entrada em shows, teatros e outros eventos culturais, sem que isso gere um custo extra. O site traz também uma contagem regressiva para a emissão da nova carteirinha estudantil . Contados a partir desta segunda-feira, faltam 83 dias para o começo das emissões.

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A carteirinha digital poderá ser emitida pelo MEC; pela Associação Nacional de Pós-Graduandos; pela União Nacional dos Estudantes (UNE); pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes); por entidades estudantis estaduais, municipais e distritais; diretórios centrais dos estudantes; centros e diretórios acadêmicos e outras entidades de ensino e associações representativas dos estudantes.

O estudante que solicitar a carteira digital terá que consentir com o compartilhamento dos dados cadastrais e pessoais com o Ministério da Educação (MEC) para subsidiar o Sistema Educacional Brasileiro — o novo banco de dados nacional dos alunos, a ser criado e mantido pela pasta.

O MEC poderá usar essas informações apenas para formulação, implementação, execução, avaliação e monitoramento de políticas públicas. O sigilo dos dados pessoais deve ser garantido sempre que possível.

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A emissão da carteira de estudante digital está prevista em medida provisória (MP) que dispõe sobre o pagamento de meia-entrada publicada no último dia 9, no Diário Oficial da União .

Fonte: IG Política
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