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Dia do Livro: 6 escritoras negras contam suas experiências com a literatura

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Seis escritoras negras contam suas experiências com a literatura
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Seis escritoras negras contam suas experiências com a literatura



Edileuza Penha de Souza, doutora em educação pela Universidade Federal de Brasília (UnB), costuma dizer que a principal importância da literatura negra é a visibilidade. “Ela é necessária assim como é necessário respirar. Em um país em que mais de 64% da população é preta e parda, ela tem um papel indiscutível”. 

Por conta do racismo, diversos autores negros consagrados, como Lima Barreto e Machado de Assis foram “embranquecidos”, enquanto autoras negras, como Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Auta de Souza durante anos foram apagadas da história e ficaram esquecidas. Outras, como Conceição Evaristo, conquistaram reconhecimento público, mas ainda não um assento na Academia Brasileira de Letras, que até hoje não teve entre seus “imortais”, uma mulher negra. 

Felizmente, hoje o mercado editorial parece estar mais aberto para obras de mulheres negras, como Djamila Ribeiro e Ryane Leão e os saraus têm sido espaços de onde despontam nomes como Mel Duarte e Luz Ribeiro, que já representou o Brasil em um concurso mundial de poesia, a Copa do Mundo Slam.

Para celebrar o Dia do Livro, o iG Delas conversou com seis escritoras negras brasileiras contemporâneas sobre seus trabalhos e como elas definem sua relação com a literatura. 

Maíra Oliveira

Maíra Oliveira
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Maíra Oliveira


Maíra conta que sua relação com a escrita vem desde a época da adolescência, em que escrevia em seu diário, relatos sobre sua vida em Tomás Coelho, interior do Rio de Janeiro. Mais tarde, ela viria a assumir outro papel na vida da autora.

Ela é formada em Química pelo Instituto Federal Fluminense (IFF) e em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ). Além de ter publicado os livros “Mari, a Sementinha”, pela editora Nandyala, “Favela em Mim”, pela editora Oriki, “Vértice: Escritas Negras” pela editora Malê e “Que Saudade da Minha Vó” pela editora Oriki, ela é dramaturga e roteirista, com projetos para a Amazon Prime e Rede Globo.

“A literatura tem uma relação direta com meu entendimento enquanto mulher, negra, militante e educadora, pois foi a partir dessa tomada de consciência que entendi que a literatura para mim não poderia ser uma possibilidade profissional ou como paixão apenas, ela deveria ser como uma arma; uma questão de sobrevivência. Acreditando no potencial transformador da literatura e na nossa escrita como sobrevivência a esse mundo que não nos quer, comecei assim meu caminho”.

Carolina Magalhães

Carolina Magalhães
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Carolina Magalhães


Carolina conta que iniciou no mundo dos livros por acaso. Ela nunca tinha pensado em escrever um livro, até que, em 2016, descobriu um câncer de mama. A partir de então, decidiu ela mesma produzir um livro infantil e contar sua história para as pessoas.

Como é publicitária e designer, fez a edição e enviou a obra para produção. “A leitura é importante para combater muitas coisas. Através da leitura a gente adquire conhecimento e o conhecimento é libertador”.

Carolina tem 34 anos e teve câncer de mama aos 29. Hoje, ela utiliza suas redes sociais para contar suas experiências com a doença e também fala sobre negritude, brincadeiras infantis sem gênero e transição capilar.

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Luciana Nabuco

Luciana Nabuco
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Luciana Nabuco


Luciana Nabuco diz que sua jornada com os livros começa com ela ainda criança, quando ouvia as histórias do pai. Ela nasceu no Acre e relata que a sua ancestralidade indígena e africana foram de extrema importância para sua formação.

“Um livro é uma companhia para a vida inteira. É uma possibilidade de ter um amigo e saber que existem tantos outros universos. A literatura te permite avançar, entender o contraditório, ela te expande. E quanto mais vozes múltiplas, maior é o entendimento da própria cultura brasileira. Por isso, os livros representam um perigo em toda forma de política ditatorial”. 

Luciana é jornalista, tradutora e artista visual. Além disso, em 2012 escreveu e dirigiu o documentário “Mãos Feitas de Fé”, e em 2018 publicou “Okan, a Casa de Todo Nós” pela editora Quase Oito e “Imigram Meus Passáros”, pela editora Pentalux, em 2020.

Isabella Praxedes

Isabella Praxedes
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Isabella Praxedes

Isabella teve uma infância traumática, em que sofreu um abuso sexual. Os livros para ela foram uma forma de escape, pois estimulavam a imaginação e a tiravam de uma realidade dura. Ela começou a escrever ainda na adolescência e tinha como meta publicar um livro antes dos 23 anos, o que realmente aconteceu, seu primeiro livro foi escrito quando tinha 21.

“Os livros foram muito importantes na minha vida, no processo de cura da depressão que tive na adolescência. Eu lembro de pensar que, quando eu crescer, quero escrever e permitir que as pessoas se sintam tão bem lendo os meus livros como eu me sinto lendo esses”. Seu primeiro livro, “Lembre-se Quem Você É”, foi publicado pela editora Autor da Fé em 2020.

Gabriela Rocha

Gabriela Rocha
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Gabriela Rocha


Gabriela Rocha se define como mais leitora do que escritora. A decisão de escrever um livro veio com o objetivo de atingir, principalmente, meninas negras e gordas. “Eu queria mostrar que elas não estavam sozinhas, já que muitas sofrem com a aparência. Eu também queria compartilhar a  minha história, falando sobre amor próprio e relacionamentos”.

Ela ainda conta que com a publicação do livro desejava mostrar para as pessoas brancas que não era por conta da pele ou formato do rosto que não poderia chegar onde queria.

A autora é formada em Contabilidade com especialização na área tributária, mas em 2018 decidiu publicar seu primeiro livro “Gabyanna Negra e Gorda”, pela editora Schoba.

Simone Mota

Simone Mota
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Simone Mota


Simone Mota começou a escrever após o nascimento do primeiro filho, que nasceu com problemas motores. Foi quando começou a perceber uma necessidade de se conectar com os livros. Ela relata que a leitura sempre esteve presente em sua casa e que ela vê a leitora à frente da escritora.

“O livro é uma ferramenta de combate a preconceitos, por meio das suas histórias, de seus autores. A literatura pode ajudar no reconhecimento do outro. Mas eu defendo que essas narrativas sejam feitas por pessoas diversas, não só quem escreve, como também quem produz os livros”.

Simone é escritora, roteirista, livreira e, em 2014, foi finalista do Prêmio UFF de Literatura na categoria Poesia. Seu livro “Que cabelo é esse, Bela?” foi publicado pela Editora do Brasil em 2018.

Fonte: IG Mulher

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