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Com ‘alvos mais ricos’, falso sequestro vira principal opção para quadrilhas

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É de dentro do presídio Romeiro Neto, em Magé, que saem as ligações criminosas

“O telefone aqui é uma arma na minha mão”. Esta é a declaração de Anderson Alves da Silva, um detento do presídio Romeiro Neto, em Magé, na Baixada Fluminense, durante uma ligação para a namorada, em que fala sobre a tática do falso sequestro. O “Fantástico” deste domingo mostrou que a modalidade criminosa evoluiu e se tornou mais rentável para quadrilha.

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Mesmo encarcerados, bandidos imitam vozes de crianças e mulheres para simular um falso sequestro. Em um dos áudios exibidos pelo programa, Anderson mostra para a mulher como muda a voz para aplicar o golpe . “Fui assaltada aqui tem um bando de bandido armado. Me tira daqui pelo amor de Deus”, disse ele, dando um risinho.

O bandido estava de posse de um dos mais de 50 celulares monitorados pela polícia , durante sete meses de investigação. Ele, inclusive, na ligação com a namorada quis saber se ela ficaria “bolada” com o que estava fazendo. ” Tem um trabalho da gente, onde que eu tô aqui, na cadeia. Um tal de falso sequestro aí, já ouviu falar já? Você tem alguma coisa contra? Porque aqui a gente trabalha assim, entendeu? Não fala nada pra ninguém não. Tem que fazer um corre, né amor, tô preso. O telefone aqui é uma arma na minha mão”, justificou Anderson à mulher.

E foi modificando a voz que outro criminoso da quadrilha manda um senhor pegar todas as joias que tem em casa, sob ameaça de matar a suposta filha que estaria em poder dele. E a vítima ainda ouve a “voz” da moça pedindo para ele “pelo amor de Deus” fazer o que o sequestrador está mandando. No fiim, o criminoso comemora, ao telefone, com a namorada: “Pô, o cara depositou 275 mil pra gente”.

Segundo o delegado Pablo França, quando começaram a surgir os primeiros falsos sequestros , os golpes eram aplicados mais com depósitos de créditos em aparelhos celulares. ” Como eram valores simbólicos, as pessoas, na dúvida, simplesmente depositavam. Até que houve uma organização, que percebeu que valia muito mais correr o risco com um único golpe bem-sucedido do que várias outras tentativas de créditos menores. E passaram a fazer, dezenas, milhares de ligações. Só que com metodologia”, contou.

Com celulares que acessam a internet, os criminosos faziam pesquisas detalhadas antes de escolher as vítimas. E como a intenção eram pessoas com alto poder aquisitivo, eles buscavam por “cidades ricas” e “condomínios de luxo”.

Foi assim que chegaram a um juiz do interior de São Paulo. Ele conta que estava dormindo quando o telefone tocou de madrugada. “Quando eu atendi, uma mulher gritava e chorava, dizendo: ‘eles entraram aqui, eles estão em casa, eles estão armados’. Rapidamente, um homem começou a falar que ia matar todo mundo e se eu não fizesse o que eles queriam, não ia sobreviver ninguém, que o sangue ia ficar na minha mão, que a culpa ia ser minha. E eu não percebi que era golpe. Nada. Fui seguindo, ele me pediu 150 mil reais”, lembra o magistrado, que foi obrigado a dar o número da conta e senha do banco.

“Isso mostra como nós estamos vulneráveis. Todos nós. Independente de profissão. De local de moradia. De estado. Segurança é um bem precioso. Então, todo o cuidado é pouco”, disse o juiz.

De dentro do presídio , segundo a polícia, os bandidos conseguem fazer movimentações bancárias via celular. “Eu só não perdi o dinheiro, porque o banco bloqueava a transferência. Se não eu teria perdido”, constatou.

A forma como o magistrado foi abordado é como os criminosos gostam de agir: ligam para seus alvos quando estão dormindo. A polícia paulista descobriu que em um mês foram feitas pelo menos 10 mil ligações desse tipo para 16 estados. O mais requisitado é o estado de São Paulo, com quase cinco mil telefonemas, todos feitos de dentro do presídio Romeiro Neto.

Os agentes chegaram até o casa de detenção depois de investigar o desaparecimento de um senhor de 87 anos. “Eu recebi essa ligação dizendo que eles estavam com o meu filho e o ameaçaram de morte. Aí, tive que seguir todas as instruções que eles me deram. Me fizeram comprar um telefone celular para não usar o meu, e me fizeram mudar para um hotel. Saía do hotel e ia para o banco e voltava para o hotel”, contou o senhor.

Por três dias e sob ameaças constantes, ele transferiu mais de 300 mil reais para a quadrilha. A família percebeu o sumiço do idoso, chamou a polícia, que o encontrou em um hotel, sozinho e debilitado. “Ele acabou ficando sem alimentação, sem medicação, sem a vida equilibrada que pessoas dessa idade devem ter. Acreditando em toda essa farsa de maneira ameaçadora que foi criada. Certamente, ficou refém da quadrilha”, afirmou o delegado Pablo França.

A tática do “auto sequestro, segundo a polícia, é fazer com que a vítima fique isolada e não tenha contato com familiares. O mesmo aconteceu com outra pessoa, que acreditou no sequestro da filha, e a mando do bandido, saiu de casa.

Ostentação de dinheiro, drogas e celulares

Em abril, o “Bom dia Rio” mostrou detentos com dinheiro, drogas e muitos celulares no mesmo presídio de onde partiram as ligações mostradas na reportagem do “Fantástico”: o Romeiro Neto. O grupo também chegou a publicar na internet fotos do dinheiro do golpe. Nesta semana, a justiça decretou a prisão de 13 pessoas, entre elas de Anderson Alves da Silva e outros três comparsas que já estavam na cadeia: José Carlos Rodrigues Junior, Carlos André dos Santos Berto e Hersyl de Oliveira Ribeiro. Eles vão responder pelos crimes de extorsão, organização criminosa e lavagem de dinheiro. “Além das prisões, houve de nossa parte o bloqueio desses números. Além do bloqueio das contas e sequestro do dinheiro, que vai possibilitar que a vítima seja ressarcida”, garantiu o delegado.

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Em nota a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informou que”apoia as operações para combater qualquer tipo de crime dentro das unidades prisionais e que vai intensificar a vistoria no local.”

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Conflito entre Lava Jato e PGR pode dar fim à operação

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Em agosto, o procurador-geral Augusto Aras decidirá se prorroga ou se deixa que a Lava Jato do Paraná seja desfeita


A crise gerada entre a Lava Jato e a Procuradoria-Geral da República (PGR) contabiliza , até o momento, uma troca acusações e uma investigação da Corregedoria do MPF (Ministério Público Federal). Tudo teria começado  com a visita da subprocuradora Lindôra Araújo à Lava Jato do Paraná, na semana passada, na qual ela pediu acesso a dados sigilosos da operação.


Agora, a provável disputa sobre o futuro da força-tarefa pode culminar no seu encerramento já em agosto. Essa é a data na qual o procurador-geral Augusto Aras decidirá se prorroga ou se acaba com a operação, segundo informou o UOL. 

Segundo fontes relacionadas à Lava Jato do Paraná, Aras não tem a mínima intenção de prosseguir com a operação. Por outro lado, membros da PGR observam a força-tarefa falando em “falsas polêmicas” para justificar uma perseguição.

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