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Coluna – João Máximo ganha homenagem na TV Brasil neste domingo

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Entre as mais de 30 entrevistas especiais que fiz para o programa “No Mundo da Bola”, da TV Brasil, no ano passado, uma se tornou mais desafiadora pelo personagem com quem eu ia conversar. Depois de algumas semanas para acertar as agendas, lá estava eu diante de João Máximo, jornalista, escritor e pesquisador. Alguém que, aos 15 anos, tinha ido aos jogos da Copa de 50, no Maracanã, e que, desde então, assistira a todas as outras, várias delas in loco – no total, 18 Mundiais. Foram quase três horas de gravação para o quadro “No Álbum da Bola”, que teremos o prazer de reapresentar, em edição especial, neste domingo ( 31), às 21h, dois dias depois de o jornalista completar 85 anos. Uma homenagem mais do que justa à memória viva do futebol brasileiro e que nos ajuda a entender um pouco da nossa história de pentacampeões.

Já conhecia o João de coberturas diárias, eventos em que o futebol era a pauta do encontro. Mas, vasculhar a vida dele e tentar descobrir algo novo não era tarefa das mais fáceis. Confesso que saí do encontro enriquecido. Como não me envolver com a história de um estudante de Odontologia, que atendeu os jogadores da Seleção de 58 e achou engraçada a forma como Garrincha se vestia? Que, apaixonado por futebol, desafiou a família, se desfez de um consultório e foi à luta nas redações de rádios e jornais? Escreveu 18 livros, sendo 17 por encomenda, e que por isso não se considera escritor. Pior: que diz ter preguiça e que levou dez anos para escrever apenas um, por iniciativa própria – a biografia de Noel Rosa, com Carlos Didier. Fico pensando se ele fosse mais perseverante.

Já dizia Millôr Fernandes que o João era o máximo. Eu digo que ainda é. A memória está fresca. E não é que ele contou coisas que eu nunca tinha ouvido falar? Prefiro destacar, nesse texto, a Copa de 50 e a inauguração do Maracanã, dois fatos marcantes que, neste 2020, completam 70 anos. Ele estava lá.

João Máximo mora em Friburgo, região serrana do estado do Rio de Janeiro, mas ainda tem um apartamento em Vila Isabel, zona norte da capital,  bem próximo ao Maracanã. Foi lá que o encontrei. E foi naquele bairro que começou a história de paixão pelo futebol. Por influência de tios, tornou-se tricolor – o irmão, Ângelo, foi presidente do Fluminense. Desde os 11 anos assistia a jogos em todos os campos, levado pelos tios. Até que surgiu a notícia de que um estádio seria construído, perto da casa dele, para a Copa do Mundo.

Um livro de Thomaz Mazzoni, sobre o futebol brasileiro, já o fazia sonhar com um Mundial. E agora, ele poderia ir a pé aos jogos. João conta que ia com os amigos todos os sábados ver a obra de perto e havia apostas sobre onde ficariam os gols e as tribunas. No dia 16 de junho de 1950 ele estava lá, no jogo inaugural. E, claro, nas partidas da Copa. É quando surge uma história um pouco diferente da que a gente ouve até hoje.

“Eu não falo muito sobre isso, para não passar por mentiroso, mas eu não acho que a música ‘Touradas de Madri’ começou a ser cantada espontaneamente, naquela goleada sobre a Espanha, na Copa. Eu e meus amigos estávamos indo para o Maracanã, quando recebemos de um grupo de torcedores, vestidos de verde-e-amarelo, um papel com uma paródia da música, provocando os uruguaios, para ser cantada durante o jogo. Eles estavam perto da Favela do Esqueleto, onde hoje é a Uerj [Universidade do Estado do Rio de Janeiro]. Infelizmente não guardei aquele papel. Na hora do jogo, cantar a música original era mais fácil do que a paródia, pelo sucesso que fazia. Então, acho que houve uma motivação para aquilo acontecer”, diz o João.

A Copa de 50, para João Máximo, foi “o roteiro perfeito de um filme que termina em tragédia”. Na primeira fase, o Brasil enfrentou três adversários, enquanto o Uruguai pegou apenas um. Na decisão, jogávamos pelo empate, saímos na frente e perdemos. O “silêncio ensurdecedor”, nas palavras de Nelson Rodrigues, teria se estendido para fora do estádio. Mas não é que João Máximo conta outra história, para mim inédita?

“Eu vinha pela Avenida 28 de Setembro e quando entrei na Rua Duque de Caxias lá estava o caminhão da Rádio Nacional, com a Emilinha Borba em cima. Havia um programa chamado ‘A Felicidade Bate à sua Porta’, em que sorteavam um bairro e, no local, alguém ganhava uma casa. Naquele domingo, o show foi em Vila Isabel. Estava todo mundo na rua cantando”, recorda.

Ganhador de dois Prêmios Esso, João Máximo é fã de Tostão, considera Pelé um craque supremo e Garrincha, um fenômeno. E finaliza com uma certeza: o futebol ainda vive de paixões. “Eu digo que o lema ‘ame-o ou deixe-o’ deve ser aplicado ao futebol. O jogo mudou e se você não gosta, não vá mais ao estádio. Vai lá para sofrer? Eu continuo gostando, me dá prazer”. Fica a dica.

Parabéns pelos 85 anos e obrigado João Máximo.

Por Sergio du Bocage, apresentador do programa No Mundo da Bola, da TV Brasil

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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Técnico do time feminino do Santos vence câncer e já mira título

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Os últimos meses foram difíceis para Guilherme Giudice, mas não por causa do novo coronavírus (covid-19). Pouco antes de a pandemia chegar ao Brasil, o técnico do time feminino do Santos foi diagnosticado com um câncer no pescoço e no retroperitônio (espaço anatômico atrás da cavidade abdominal). Foram quatro ciclos de quimioterapia até a esperada notícia da recuperação.

“A primeira quimioterapia foi no dia da partida com o Cruzeiro [17 de fevereiro, pela terceira rodada do Brasileiro Feminino]. Saí da sessão e fui direto para o jogo, na Vila Belmiro. Uma coisa que ajudou muito, desde o começo, foi continuar trabalhando. Isso me ajudou a levar bem o tratamento, porque eu estava sempre ocupado”, conta o técnico à Agência Brasil.

Para dar conta, Guilherme precisou adaptar rotina e vestimentas no dia a dia. “Eu sabia dos riscos. Quando inicia o procedimento, a imunidade cai muito e você fica suscetível a qualquer tipo de doença. Qualquer resfriado passa a ser preocupante. Só mesmo nos dias de sessão é que eu não ia aos treinos. Nos demais, estava lá, tomando todos os cuidados, protegendo toda a pele, usando roupas compridas, evitando muito contato”, descreve.

Guilherme Giudice, técnico santos futebol femininoGuilherme Giudice, técnico santos futebol feminino

Guilherme adotou medidas de proteção durante treinos – Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC/Direitos reservados

A pandemia interrompeu o campeonato e os treinos presenciais em Santos (SP). Com isso, Guilherme transferiu o tratamento para São José dos Campos (SP), cidade em que mora e permanece desde o início da quarentena. O isolamento do técnico começou na própria residência. “Fizemos como se fosse um bunker. Fiquei com um espaço só para mim, onde eu dormia e mantinha minha rotina, principalmente para evitar contato com outras pessoas da casa”, recorda.

Os ciclos de quimioterapia foram concluídos no início de junho. Os exames indicaram que, dos tumores, havia sobrado apenas o do pescoço, já em tamanho reduzido, devido ao tratamento. Em 13 de junho, Guilherme fez uma cirurgia para extração do nódulo. “Foi feita a biópsia e, graças a Deus, ele era benigno. Então, com a retirada dele, não ficou mais nada”, comemora.

Carinho

A luta do treinador não foi solitária. Além da família, a parceria com o elenco santista foi importante. “O carinho que recebi delas e do clube foi demais. Imagino que para elas também não foi fácil, sempre me vendo sair para fazer exames, aí um dia aparecendo de cabelo raspado, antes de passar a informação [do diagnóstico]”, recorda.

O ápice foi na semana posterior à vitória por 2 a 0 sobre o Grêmio, fora de casa. Por conta do tratamento, Guilherme foi poupado da viagem para Novo Hamburgo (RS) e o time foi comandado pela auxiliar Sandra dos Santos. Em um dos treinos, as jogadoras se deitaram no gramado e formaram as letras G, U e I, em homenagem ao técnico. “Eu me emocionei muito, porque foi uma semana em que eu tive uma queda de imunidade grande, precisei ficar internado alguns dias”, lembra.

O anúncio da recuperação foi dado pelo perfil oficial das Sereias da Vila no Instagram. A partir daí, as redes do treinador foram tomadas por mensagens de santistas e até de adversários nos gramados. “Recebi recados do Arthur [Elias, técnico do Corinthians], do Lucas [Piccinato, do São Paulo], do Ricardo [Belli, do Palmeiras] e da Tatiele [Silveira, da Ferroviária]. De atletas que trabalharam na seleção feminina comigo [ele foi auxiliar de Emily Lima] e no Santos, e até de jogadoras com quem nunca trabalhei, mas enfrentei em algum momento. Foi bacana o reconhecimento”, relata.

Segundo ele, os exames médicos indicam que o sistema imunológico, afetado durante o tratamento, está restabelecido. “Agora, é tomar os cuidados que todos temos que ter [devido à pandemia]. Claro, mais atento ainda, por tudo o que passei. E aguardar a definição dos protocolos para reiniciarmos os treinos com toda a segurança”, conclui.

Retorno

O Santos será um dos primeiros times a jogar no retorno do Brasileiro Feminino. A previsão dada pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, em entrevista ao jornal O Globo, é que o campeonato da Série A1 (primeira divisão) recomeçará em 26 de agosto. O torneio foi interrompido com três partidas a serem realizadas pela quinta rodada. Uma delas é o duelo entre as Sereias da Vila e o Audax, inicialmente marcado para o litoral paulista.

O Alvinegro Praiano venceu os quatro jogos que realizou (contra Flamengo, Iranduba, Cruzeiro e Grêmio) e está em segundo lugar, com os mesmos 12 pontos da líder Ferroviária, superado no saldo de gols. Ainda não há previsão de quando o elenco retornará aos treinos. Enquanto isso, a preparação é realizada virtualmente.

“A gente imagina que será um campeonato novo. Assistimos a praticamente todos os jogos, mas acreditamos que as equipes voltarão diferentes. A ideia é brigar pelo título. Tivemos um bom início e a ideia é voltarmos no ritmo que paramos. Quero o título para dedicar ao clube e à torcida, que me deram tanto carinho e força nesse tempo”, diz o treinador, que está na quarta temporada no futebol feminino, após quase 10 anos atuando nas categorias de base do time masculino do São José, que atualmente disputa a quarta divisão do Campeonato Paulista.

Guilherme assumiu o time principal das Sereias da Vila em setembro do ano passado, na reta final do Estadual Feminino, após a eliminação para a Ferroviária nas quartas de final do Brasileiro. Ele era o auxiliar de Emily Lima, que estava no clube desde o início de 2018. Foram seis jogos de lá para cá, três pelo Paulista e três pelo Nacional, com quatro vitórias, um empate e uma derrota.

Edição: Fábio Lisboa

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