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Política

Cabral diz que repassou R$ 1,5 mi à campanha de Aécio

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Sérgio Cabral está preso desde novembro de 2016

RIO DE JANEIRO (RJ) – O ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho (MDB) afirmou nesta sexta-feira, 5, em depoimento, que o prefeito Marcelo Crivella (PRB) recebeu US$ 1,5 milhão para apoiar a candidatura de Eduardo Paes (DEM) na eleição municipal de 2008. Naquele ano, Paes e Fernando Gabeira (PV) disputaram o segundo turno, vencido pelo candidato do DEM, então no PMDB. Ele também afirmou que a Fetranspor, entidade que representa empresas de transporte urbano, pagou propina à Assembleia Legislativa do Rio desde 1987, no governo Moreira Franco (MDB). Também disse ser sido “achacado” por deputados e feito negociações com ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal de Contas da União (TCU). No caso dessas Cortes e no dos parlamentares, porém, não citou nomes.

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal, o ex-governador disse que Paes sabia de toda a negociação e até participou de uma reunião realizada antes do pagamento. Segundo Cabral, o empresário Eike Batista desembolsou a quantia. Atualmente, Crivella é alvo de um pedido de impeachment, por suposta irregularidade na renovação de um contrato.

 

Sérgio Cabral está preso desde novembro de 2016. Atualmente, está no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste. É acusado de comandar um esquema de corrupção no Estado e já soma quase 200 anos de prisão em nove condenações. Ele foi interrogado a pedido da própria defesa como parte da ação penal da Operação Ponto Final, que investiga a propina paga por empresários do setor de transportes – na primeira oitiva da ação ele ficou em silêncio. Cabral admitiu que aproximadamente R$ 144 milhões foram pagos pela Fetranspor em propinas entre julho de 2010 e outubro de 2016.

Depois da eleição de Eduardo Paes à prefeitura, o então senador Marcelo Crivella teria ido se queixar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva de, apesar de ter dado seu apoio, não ter sido aproveitado no governo.

“O senhor me desculpe, mas eu comprei o apoio do Crivella”, contou Cabral a Bretas sobre seu diálogo com o então presidente, no Palácio do Planalto.

Marcelo Crivella disputou a eleição de 2008 para a prefeitura, mas terminou em terceiro lugar. No início da campanha para o segundo turno, entre Paes e Gabeira, segundo essa versão, Crivella procurou Cabral, no Palácio Laranjeiras, e contou ao então governador que o empresário Armínio Fraga havia lhe oferecido USS 1 milhão para apoiar a candidatura do Partido Verde.

Cabral decidiu então procurar o empresário Eike Batista. O acerto foi fechado durante um café da manhã na casa do empresário.

Crivella não foi o único político citado no depoimento de Cabral. O ex-governador contou também ao juiz Bretas como um valor de R$ 1,5 milhão oriundo do pagamento de propina pela Fetranspor teria ido parar na campanha presidencial de Aécio Neves, na eleição de 2014.

“Eu tenho uma relação muito afetiva com o senador Aécio Neves, que naquela época disputava a Presidência da República e passava por fase de muita dificuldade com Marina (Silva) em segundo lugar nas pesquisas. Ele estava muito deprimido, muito pra baixo”, disse Cabral, explicando por que resolveu ajuda-lo com o envio do dinheiro. “O Aécio não participou da reunião (em que o pagamento foi acertado), mas ele me ligou depois para agradecer.”

Cabral detalhou o esquema de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio desde 1987. Essa ação atravessou o período em que o emedebista foi o presidente da Casa e, depois, chegou ao período em que já era governador do Estado.

Segundo Cabral, enquanto esteve à frente da presidência da Alerj, de 1995 a 2002, ele administrava a “caixinha” da Fetranspor na assembleia e recebia, mensalmente, R$ 300 mil. Outros R$ 400 mil eram usados para distribuir entre os deputados, de acordo com a ajuda dada por cada um para aprovar pautas de interesse da Fetranspor.

Em ocasiões especiais, como por exemplo, em 1997, durante concessão de linhas de ônibus, esse valor podia aumentar consideravelmente. Depois, como governador do Estado, ele recebia mensalmente dos empresários de ônibus R$ 400 mil. Apenas para a campanha de Luiz Fernando Pezão ao governo do Estado foram R$ 30 milhões. Ele também admitiu pagamento para conselheiros do Tribunal de Contas do Estado.

O QUE DIZEM OS CITADOS POR SÉRGIO CABRAL

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), classificou a acusação feita por Sérgio Cabral como “mais uma grande mentira plantada para tentar desestruturar a minha gestão e minhas convicções como homem público”. E completou: “Jamais conseguirão manchar a minha honra”. Crivella se manifestou por meio de um vídeo que postou no Facebook. “Isso é mentira. Eu não conheço o senhor Arminio Fraga, nunca estive com ele nem tampouco ele me ofereceu qualquer recurso, e a minha opção por Eduardo Paes se deu porque era o candidato que tinha afinidade com os evangélicos. Todos os evangélicos apoiaram Eduardo Paes em sua primeira candidatura (a prefeito do Rio)”.

O advogado Alberto Zacharias Toron, que representa o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou que o parlamentar “desconhece qualquer pedido de apoio feito pelo ex-governador para a campanha presidencial do PSDB em 2014”. Afirmou ainda que “todas as doações realizadas àquela campanha estão devidamente declaradas e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

O ex-deputado estadual Jorge Picciani (MDB) afirmou, por meio do seu advogado, que só vai se manifestar depois de ter acesso formal à íntegra do depoimento de Cabral.

Em nota, a Fetranspor afirmou que “desde setembro de 2017 é presidida por um novo executivo, sem qualquer ligação com a gestão passada e com os fatos relacionados às investigações em andamento”, que “adotou uma política rígida de compliance e de governança” e que “vem cumprindo todas as determinações judiciais”.

A reportagem procurou o ex-prefeito Eduardo Paes, o economista Armínio Fraga e o empresário Eike Batista, por telefone e e-mail, mas não obteve resposta até a conclusão desta edição.


(*Estadão Conteúdo)

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Política

Carona a parentes e filho embaixador: Bolsonaro prova que a mamata não acabou

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IstoÉ

Bolsonaro
Marcos Corrêa/PR – 1.8.19
Carona a parentes e filho embaixador: Bolsonaro prova que a mamata não acabou

Em “O Contrato Social”, o teórico político, escritor e compositor genebrino Jean-Jacques Rousseau ensina um princípio clássico e tático, capaz de transformar grandes governos, em governos minúsculos, tacanhos e mesquinhos. Para Rousseau, um governo se contrai a partir do momento em que deixa de observar o espírito público e passa do “grande para o pequeno número”, observando necessidades e ensaios de apenas uma pequena parcela da população. E é justamente essa visão enviesada de realidade que enfraquece as estruturas estatais e, em última análise, descamba o Estado para um total estado de anarquia.

Obviamente que o Brasil não está diante de qualquer estado anárquico, mas os sete longos meses do governo Bolsonaro mostram que, sim, existe uma inclinação para favorecer poucos em detrimento de muitos. Entre os beneficiários estão os próprios familiares do presidente, que, não raro, parece norteado pela filosofia atribuída a Nicolau Maquiavel: “aos amigos, tudo; aos inimigos, os rigores da lei”. Nomeação de parentes, indicação de familiares para cargos estratégicos e a  utilização de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para eventos eminentemente pessoais constituem apenas algumas amostras de que a confusão entre o público e o privado persiste no País, mesmo num governo que foi eleito prometendo mudar tudo o que estava aí – sobretudo no que diz respeito ao trato com a chamada coisa pública.

A lista dos abençoados com as benesses públicas é extensa: filho, esposa, sobrinhos, entre outros agregados presidenciais. Em maio, o filho Eduardo Bolsonaro casou-se com a psicóloga gaúcha Heloísa Wolf, no Rio de Janeiro. Obviamente, muitos parentes foram convidados mas alguns conseguiram um jeito, digamos, mais prático para se dirigir à cerimônia: tiveram à disposição uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Familiares de Bolsonaro da região do Vale da Ribeira, em São Paulo, se deslocaram para o Rio em um helicóptero da FAB entre os aeroportos de Jacarepaguá e Santos Dumont. De carro, o trajeto tem aproximadamente 35 km e levaria em torno de 40 minutos, no máximo. De aeronave, durou 14 minutos.

Dois fatos são inacreditáveis nessa história: um é que os próprios parentes do presidente contaram vantagem por meio das redes sociais, aquelas que sempre foram vistas como o território mais fértil para o bolsonarismo. Quem postou e entregou a “mamata” foi o sobrinho de Bolsonaro, Osvaldo Campos. O segundo absurdo é que o próprio presidente defendeu abertamente o privilégio . Alegou “questões de segurança”. “Eu fui ao casamento do meu filho. A minha família ia comigo. Eu vou negar o helicóptero a ir para lá e mandar ir de carro? Não gastei nada do que já ia gastar”, disse o presidente ao ser questionado sobre o assunto. Os órgãos de controle não acharam tudo tão trivial assim. O Ministério Público de Contas deve ingressar com uma representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar este e outros casos de abusos na utilização de aeronaves da FAB durante o ano de 2019.

voo da alegria
Divulgação/IstoÉ
Parentes de Bolsonaro pegaram carona em helicóptero da FAB para ir ao casamento de Eduardo Bolsonaro

Não há sinais de bons auspícios. Enquanto isso, os ares da “nova política” sopram em direção da esposa de Bolsonaro, Michelle Bolsonaro . Como toda primeira dama, ela toca projetos assistenciais do governo. Até aí tudo bem. Mas o governo não precisava criar uma estrutura especial para a mulher do presidente: uma equipada sala de aproximadamente 300 metros quadrados ao custo de R$ 328 mil, localizada na Esplanada dos Ministérios, mesmo bloco onde trabalham os ministros Osmar Terra (Cidadania) e Damares Alves (Direitos Humanos). A notícia foi divulgada no mesmo fim de semana em que Michelle anunciou uma cirurgia de correção do septo nasal. A intervenção ocorreu no HFA (Hospital das Forças Armadas), unidade com a qual Presidência da República tem convênio.

bolsorindo
Marcos Corrêa/PR – 24.7.19
“Vou negar o helicóptero e mandar ir de carro?”, questionou Bolsonaro ao ser perguntado sobre carona a parentes

Filho na embaixada

Igualmente emblemática, e não menos rumorosa, é a futura indicação do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Trata-se de uma espécie de nepotismo jabuticaba, aquele que tenta utilizar-se de uma artimanha legal (uma sabatina no Senado, com aprovação de uma súmula do STF) para dar ares republicanos a uma iniciativa pouco republicana. Integrantes da Comissão de Relações Exteriores (CRE) da Casa prometem dar trabalho, por isso a nomeação não é considerada pule de 10.

Mas o mandatário conta com um poderoso aliado na tentativa de emplacar o filho no principal posto avançado do Brasil no exterior: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Nesta semana, Bolsonaro ganhou mais um reforço, o presidente dos EUA,  Donald Trump, que avalizou o nome do rebento: “Eu conheço o filho dele e provavelmente é por isso que o fizeram (a indicação). Estou muito feliz. Ele é extraordinário, um jovem brilhante, maravilhoso”, disse.

Um incauto diria: no governo Bolsonaro “há muito cacique para pouco índio”. Nem tanto. Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como  Léo Índio, primo dos filhos do presidente e considerado homem de confiança do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), foi contratado pelo senador Chico Rodrigues (DEM-RR) com vencimentos de R$ 22,9 mil mensais. O salário é o segundo mais alto do gabinete. “Contratei ele por feeling”, argumentou Rodrigues. “Feeling” ou não, a questão é que a lista de benesses parece não ter fim.

Ainda no início do ano, o Palácio do Planalto encaminhou, logo na sua primeira mensagem para modificações na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), um pedido de autorização para a compra de novos carros oficiais . Para o próprio Bolsonaro e ex-presidentes. Serão 30 carros novos com o intuito de renovar a já luxuosa frota presidencial .

Oficialmente, o pedido visa atender a normas de segurança recomendadas pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O valor da renovação da frota: R$ 5,6 milhões. Na lista de veículos, estão 12 blindados contra tiros de submetralhadoras e pistolas nove milímetros. O mais curioso é que, o mesmo cuidado que o presidente tem em andar de carros blindados, não se aplica a atividades, digamos, pouco corriqueiras como  ir para o Congresso a pé ou visitar estabelecimentos comerciais próximos ao Palácio da Alvorada.

O exemplo precisa vir de cima. Quando não vem, vira balbúrdia. Como da qual participou o ministro de Ciência e Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes. Pontes tirou férias não remuneradas entre os dias 13 e 25 de julho. Destino: Orlando, EUA. Levou a tiracolo sua assessora especial Christiane Gonçalves para acompanhá-lo na empreitada . As despesas foram arcadas pela pasta. Hão de argumentar que tudo foi feito dentro da legalidade, mas nem tudo que é legal é correto. A postura não coaduna com quem foi eleito sob a égide da ética.

michelle bolsonaro
Carolina Antunes/PR – 9.7.19
A primeira-dama Michelle Bolsonaro foi agraciada com uma sala de aproximadamente 300 metros quadrados ao custo de R$ 328 mil

Salão nobre

Isso é que é gente solidária! O governo gastou R$ 330 mil na construção de um espaço de 300 metros quadrados para abrigar o Conselho do Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado, projeto tocado pela esposa do presidente, Michelle Bolsonaro, e dez funcionários. Cada servidor recebe salários entre R$ 1,6 mil e R$ 5,2 mil. A primeira-dama não tem direito à salário, mas dá expediente diariamente no local. O programa é ligado ao Ministério da Cidadania, que teve R$ 619 milhões contingenciados.

Marcos Pontes
Divulgação/Flickr/MCTIC
De folga, Marcos Pontes levou assessora aos EUA com despesas pagas pelo Ministério

Ponte aérea

O ministro de Ciência e Tecnologia do governo Bolsonaro , Marcos Pontes, vive nas nuvens literalmente. Entre 13 e 25 de julho, tirou 12 dias de folga e viajou para Orlando, nos EUA, com familiares. Aproveitou o período para acompanhar as comemorações dos 50 anos do lançamento da Apollo 11. De quebra, levou a assessora Christiane Gonçalves Correa, com as despesas pagas com recursos do ministério. O próprio ministro autorizou os gastos. 

Fonte: IG Política
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