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Economia

Brasileiros mais pobres precisam de 9 gerações para alcançar renda média do País

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Agência Brasil/Fernando Frazão

Brasil está entre os piores países em mobilidade social, aponta índice global

Um bebê nascido em uma família brasileira de baixa renda vai precisar  de nove gerações para ver seus descendentes alcançarem a renda média do País.

Se ele fosse dinamarquês , mesmo que sua família estivesse entre as mais pobres daquela nação, levaria duas gerações para alcançar os ganhos médios do país escandinavo.

Os exemplos acima se baseiam no Índice Global de Mobilidade Social divulgado nesta quarta-feira (22) durante o Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, na Suíça, até a próxima sexta-feira (24).

O relatório aponta, dentro de cada país, qual a possibilidade que um indivíduo tem de conseguir melhorar de vida em relação à sua família. A Dinamarca é o país com maior capacidade de mobilidade social entre 82 países analisados e o Brasil ficou na 60a posição.

“Em termos absolutos, (mobilidade social) é a habilidade de uma criança de ter uma vida melhor que a dos seus pais “, explica o documento.

“Na maioria dos países, indivíduos de determinados grupos se tornaram historicamente desfavorecidos e a baixa mobilidade social perpetua e exacerba essas desigualdades”, acrescenta.

Ranking

Os países escandinavos lideraram o ranking e ocupam os sete primeiros lugares: Finlândia, Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia, respectivamente. Entre as economias do G7, a Alemanha é a primeira a aparecer na lista, no 11º lugar, seguida pela França (12º).

Entre os países em desenvolvimento , os BRICS, a Rússia é a melhor em mobilidade social, ocupando a 39ª posição. Em seguida vem a China, na 45ª posição, seguida pelo Brasil (60ª), Índia (76ª) e África do Sul (77ª). Os últimos lugares no ranking são Paquistão, Camarões, Senegal e Costa do Marfim.

Pontos analisados

Para chegar a esses números, o Índice Global de Mobilidade Social avaliou 10 ponto s:

  1. qualidade e igualdade da educação,
  2. acesso à edução,
  3. saúde,
  4. instituições inclusivas,
  5. proteção social,
  6. condições de trabalho,
  7. distribuição justa de salários,
  8. oportunidades de trabalho,
  9. acesso à tecnologia e
  10. aprendizado ao longo da vida.

Brasil

O Brasil alcançou 52,1 pontos em 100 no índice. A Dinamarca, primeiro lugar, ficou com 85,2. Entre os pontos analisados, “Distribuição Justa de Salários” foi a pior nota do Brasil.

Ainda sobre o País, o relatório aponta baixos salários no mercado de trabalho, trabalhadores em condições vulneráveis de emprego (27,4%) e alta proporção de jovens que não estão empregados nem estudando (24,1%) como obstáculos para a mobilidade social.

“Esforços adicionais poderiam ser feito para diminuir os níveis de desemprego entre os trabalhadores com educação básica (15,3%) e intermediária (14,1%)”, diz o texto.

O relatório também aponta a necessidade de aumentar o acesso à educação ao longo da vida dos cidadãos já que isso auxilia na redução do desemprego. As notas do Brasil em “acesso à educação” e “qualidade e igualdade da educação” foram 54,2 e 42,2, respectivamente.

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Economia

Conservadorismo do Bacen é muito arriscado, segundo especialista

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Especialista se preocupa com "tom conservador" do Bacen durante crise do coronavírus

O Banco Central do Brasil (Bacen) tem se mantido “conservador” durante a crise causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) e, conforme falou o diretor de investimentos da Persevera Asset Management ao Valor Investe na última quarta (8), tal postura é “muitíssima arriscada” neste momento.

Guilherme Abbud afirma que “deixar os juros altos às vésperas de uma depressão como nunca vimos antes é algo super agressivo”.

Leia:  Caixa alivia prestações atrasadas para construção civil

Queda na Selic

Abbud defendeu que a Selic seja levada a níveis “bem menores” do que os 3,75% atualmente praticados, sequer descartando a utilização do juro básico em zero no país.

O diretor de investimentos da Persevera também acrescenta que o Bacen pode estar dividido. Ele afirma:

“Vejo que ele quer ser liberal no câmbio, mas se põe numa armadilha porque entorta o modelo e usa a política monetária para não deixar o câmbio ir embora. Esse problema tem de ser resolvido com reservas, não com juros.”

Ele defende ainda que a recessão causada pela Covid-19  pode ocasionar em um encolhimento do PIB de 5% a 10%, além de inflação de 1% para 2020. Abbud acrescenta:

“É necessário mudar a percepção neste momento. Saímos muito rápido do inferno para o céu e agora estamos indo para outro tipo de inferno. A inflação estava em 12% e caiu para perto de 3%. Isso foi bastante comemorado e tinha de ser mesmo porque reancoramos as expectativas. Mas agora, a inflação em 1% não é mais algo a se comemorar. É um problema para o qual o Brasil não está treinado. Quedas de inflação a partir de agora têm de ser combatidas porque passam a ser sintoma de uma doença muito grave, que é a depressão econômica.”

Veja: Consumidores não precisam temer desabastecimento

Política monetária para tempos de recessão

Abbud defende ainda que uma política monetária de tempos de “recessão econômica” deve ser empregada no atual momento, onde é preciso agir rapidamente e de maneira forte “já que os riscos de inflação são inexistentes”. Ele explica:

“O BC usa a palavra conservador de forma errada. Em períodos recessivos, ser conservador é agir rápido. O BC está desconexo da realidade sendo que estamos em uma situação de absoluta emergência.”

Por fim, Abbud defende uma maneira diferente para achatar a curva de juros neste momento. Para ele, o Brasil deve ter uma “curva baixa e achatada”, acreditando que uma redução de juros “de forma corajosa e muito rápida” deve ser feita, comunicando-se que “o inimigo a ser combatido é a desinflação”. Ele conclui:

“Se o BC mudar de postura rapidamente e adotar essa visão mais firme, a curva de juros vai despencar e poderemos ter um juro longo real próximo de zero.”

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